Os desafios da formação de professores no Brasil
Enviada em 08/06/2021
Lima Barreto, em seu livro “Os Bruzundangas”, criticou vários aspectos do Brasil na primeira metade do século XX, mormente no que tangia as mazelas sociais. No entanto, apesar do tempo decorrido desde a publicação da obra, ainda hoje se faz necessário apontar e discutir os inúmeros problemas que subsistem no país, destacando-se, por certo, a problemática da precariedade na formação profissional de professores no Brasil, a qual ocorre, infelizmente, em razão da negligência governamental e da sociedade.
Em primeira análise, nota-se que a Constituição Cidadã de 1988 assegura a todo brasileiro o direito à Educação. Entretanto, esse direito não é efetivado. Isso é explicitado na medida em que, de acordo com uma pesquisa realizada pelo Censo Escolar de 2014, aproximadamente 1/4 dos docentes não possuem a devida formação para atuar na área do ensino. Dessa forma, têm-se cidadãos insuficientemente qualificados educando crianças e adolescentes, de modo que os próximos educadores sofrerão do mesmo mal, gerando, assim, um efeito bola de neve. Nessa esteira de pensamento, cabe lembrar das ideias do filósofo John Locke, o qual dizia que o indivíduo, por ter sua relação com o Estado baseada na confiança mútua, pode, sempre que essa confiança for rompida - Como no desrespeito supracitado à Carta Magna -, rebelar-se e reivindicar seus direitos. Dessarte, é dever do brasileiro exigir o cumprimento da lei maior.
Outrossim, a própria sociedade é responsável pela manutenção do problema. Tristemente, o trabalho do profissional da educação não é devidamente valorizado no Brasil. Isso ocorre por meio de uma baixa remuneração, falta de dedicação dos estudantes, investimentos reduzidos, entre outros. Por conseguinte, o pedagogo é cercado por sentimentos ruins e passa por uma redução na qualidade de vida, que reflete no desempenho do trabalho. Todavia, segundo o pedagogo Célestin Freinnet, é possivel superar qualquer pensamento errôneo já estabelecido em uma sociedade, bastando, para isso, o desejo de mudança dos agentes sociais. Portanto, uma mudança nos valores do corpo social é fundamental para mitigar as dificuldades de uma boa formação do professor no Brasil.
Diante dos fatos citados, é fulcral que o Estado, por meio de uma parceria entre o Ministério da Educação com organizações civis, crie um projeto a ser desenvolvido nas escolas e locais de trabalho, o qual promova palestras e atividades lúdicas a respeito dos direitos consitucionais da Educação. Porquanto que ações culturais têm imenso poder transformador, espera-se que a comunidade, em geral, conscientizem-se. Se assim for feito, o Brasil estará um passo mais distante de ser o país que Lima Barreto criticava, tornando-se uma nação desenvolvida de fato.