Os desafios da formação de professores no Brasil
Enviada em 24/06/2021
O Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes) avalia cinquenta países a cada três anos e os ranqueia de acordo com os respectivos desempenhos. O Brasil hoje figura em quadragésimo segundo lugar, o que evidencia um baixo grau de instrução gerada pelo ensino nacional. Em virtude disto, percebe-se que os desafios educacionais brasileiros se iniciam na formação de bons professores. Entretanto, esta necessidade esbarra em dois principais problemas, que são a má remuneração associada a ausência de um robusto plano de carreira, seguido de leis impeditivas que afugentam pessoal qualificado para essa área de atuação tão nobre, como a da educação básica e fundamental.
A falta de perspectiva devido a desvalorização do professor, repele promissores educadores da sala de aula. Um estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento mostra que apenas vinte porcento dos estudantes de pedagogia optam ser docentes, caso não arranjem outro emprego. Este fato prova que a carreira em ensino básico serve de refugo àqueles que pensam em prosperar, abrindo espaço para trabalhadores inaptos, o que promove ineficiência no ensino. Repalda-se também a isto o fato de que setenta porcento dos alunos de pedagogia possuem notas inferiores à média do ENEM, segundo à organização Todos Pela Educação. Estas razões demonstram a existência de um círculo vicioso no sistema brasileiro em que aproveita-se apenas os piores na prática de ensinar.
Desse modo, observa-se ainda a injustiça da não possibilidade do ingresso ao magistério de profissionais bastante especializados de outras áreas por causa de leis proibitórias. Estas leis arraigam no ensino uma reserva de mercado preconceituosa. Seus adeptos defendem que saber ensinar é mais importante que saber o que estar ensinando. Acham que técnicas de autores importantes como Piaget, Skinner, Vigotsky, Wallon, etc., são fundamentais para o exercício do ato de ensinar. Entretando, a história da humanidade foi feita de transmissão de conhecimento pelas gerações, nos fazendo assim a espécie dominante deste planeta. Negar que qualquer pessoa possui didática necessária para ensinar, é negar o próprio processo evolutivo. Especializá-los durante a docência é plausível.
Portanto, pode-se perceber que a não valorização do professor e a práticas impeditivas de inserção de boas mentes nesse nicho, prejudicam a formação de novos e bons professores. Assim sendo, é urgente que o poder legislativo nacional elimine barreiras de entrada de qualquer bom profissional na área educacional, modificando leis que impossibilitam a inserção de pessoas que querem trabalhar com ensino, além de permitir especialização durante a prática em sala de aula. Garantir também a boa remuneração dos proponentes e fortalecer a categoria com um plano de carreira são ações substanciais que o Estado proveria em prol da educação brasileira.