Os desafios da formação de professores no Brasil

Enviada em 11/08/2021

A obra expressionista “O Grito”, do artista alemão Edward Munch, destaca o sentimento de angústia ao representar a figura de um ser andrógino em desespero existencial. Entretanto, quando se é vislumbrado a atmosfera da formação de professores no Brasil, o cenário mostra-se preocupante, já que o corpo social, ao contrário do personagem, mostra-se apático em relação aos desafios desse panorama. Com isso, dois elementos são cruciais para serem revistos: a subvalorização do serviço docente, e os nefastos investimentos governamentais.

Em primeira instância, é de suma vitalidade destacar a manutenção na sociedade de uma perspectiva que, muitas vezes, menospreza o trabalho dos professores e a importância desse grupo como agente formador de cidadãos criativos. Segundo o filósofo Schopenhauer, o homem, dotado de uma ótica restrita, restringe a realidade em que está inserido de acordo com experiências próprias. Assim, a desvalorização dos profissionais de ensino, evidenciado nas baixas taxas salariais, por exemplo, simboliza a limitação social defendida pelo autor. Nesse sentido, gera-se, consequentemente, um sistema de repulsão ao crescimento do corpo docente qualificado no país, o que favorece os altos índices de analfabetismo estrutural.

Ademais, cabe pontuar como a manutenção, por parte do Estado, de uma política que avança em passos letárgicos contribui para a persistência dessa problemática no quadro nacional, visto que favorece a formação de um aparato profissional fragilizado. Nesse sentido, segundo a teoria do Monstro Macrocéfalo, o sociólogo Raymundo Faoro critica o excesso de normas em detrimento de ações no âmbito governamental. Desse modo, essa face se materializa na conjuntura brasileira na medida em que as atuais políticas públicas na área educacional, aliada aos intensos desvios de verba e à falta de incentivos financeiros, são incapazes de proporcionar uma infraestrutura adequada para o corpo docente, em especial dos núcleos urbanos marginalizados.

Portanto, são necessárias medidas capazes de reverter essa problemática. Para tanto, é essencial que os professores, em conjunto com Organizações Não Governamentais, exijam, a partir do desenvolvimento de campanhas publicitárias, melhores salários e infraestrutura escolar, com o fito de promover uma maior valorização desse grupo. Outrossim, urge que o Governo Federal, por meio de trâmites legais, direcione, de forma consciente, os investimentos públicos para a área do ensino brasileiro, a fim de disponibilizar melhores condições de trabalho aos servidores educacionais e, assim, desconstruir o estigma que engloba essa profissão. Destarte, será possível mitigar a angústia social pintada por Edward Munch.