Os desafios da formação de professores no Brasil
Enviada em 11/08/2021
“Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda” a frase do filósofo e educador brasileiro Paulo Freire esclarece a necessidade da educação, porém, o docente se vê sem uma remuneração adequada, sem recursos para conseguir educar e em jornadas de trabalho exaustivas.
De acordo com Rita de Lino, diretora da Associação Brasileira de Educação a Distância, pela falta de perspectiva na carreira de docente, muitos desacreditam que o estudo deve ser contínuo após o ensino superior. Ela ressalta que um dos fatores que contribuem para a descontinuação dos estudos é a ausência de possibilidade de tempo que os professores possam dedicar nessas capacitações, pois trabalham em mais de uma escola para conseguirem se sustentar com o baixo valor da remuneração da profissão.
Além disso, através de análises feitas no documento Profissão Professor na América Latina, percebe-se que no Brasil a carreira de docente não é vista como prioridade, dado que 20% dos estudantes de pedagogia escolheram o curso como uma alternativa, em 2008. Ademais, 70% dos alunos que cursam pedagogia têm nota abaixo da média no Exame Nacional do Ensino Médio, o Enem, de acordo com Ivan Gontijo, coordenador de políticas educacionais no Todos pela Educação, mostrando que no cenário brasileiro há uma desvalorização da carreira e pouco se exige academicamente do futuro profissional.
Dessa forma, é fundamental que a docência seja vista no centro da agenda profissional e que seja valorizada como tal. Portanto, o Ministério da Educação em conjunto com o Governo Federal, deve criar políticas de incentivo a profissão ― como o aumento do valor do piso salarial ― e bolsas de estudo para alunos de alto desempenho em cursos relacionados a docência, além de oferecer cursos gratuitos nos períodos extraclasse para que possibilitem os profissionais formados aperfeiçoarem os seus saberes.