Os desafios da formação de professores no Brasil

Enviada em 12/11/2021

A Constituição federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê, em seu artigo 6º, o direito à educação e bem-estar como inerente a  todo cidadão. Conquanto, tal prerrogativa não tem se reverberado adequadamente na prática ao observar a precariedade na formação educacional do professor, dificultando, desse modo, a universalização desse direito social crucial. Diante disso, cabe pontuar o negligenciamento estatal e o aspecto sociocultural como fomentadores da questão.

Nesse cenário, vale ressaltar a ausência inoperância estatal quanto à valorização do docente. Decerto, falta de programas que dê uma qualidade ensino melhor ao professor, juntamente com uma maior remuneração é a realidade da política enfrentada no país, resultando nos diagnósticos tardios e na própria exclusão de uma parcela significativa da sociedade. Segundo o filósofo John Rawls, em sua obra “Uma Teoria da Justiça”, um governo ético é aquele que disponibiliza recursos financeiros para todos os setores públicos, promovendo igualdade de oportunidades a todos os cidadãos. Sob essa óptica, torna-se evidente que o Brasil não é um exemplo do pensamento desse teórico, visto que, segundo dados do censo escolar 25% dos professores da educação básica não possuem formação adequada, tendo como efeito a lacuna no ensino escolar, os submetendo à periferia da cidadania.

Ademais, é importante considerar o fator grupal. Conforme o pensador Jurgen Habermas, a razão comunicativa – ou seja, o diálogo – constitui etapa fundamental do desenvolvimento social. Nesse ínterim, a falta estímulos ao debate a respeito da formação e qualidade da educação dada ao professor, todavia, coíbe o poder transformador da deliberação e, consequentemente, ocasiona em uma sociedade que desconhece a grandeza do problema. Desse modo, a população não reconhece a importância desses profissionais, havendo uma menor reverberação de suas necessidades, tal como uma melhor remuneração e qualificação profissional, que resulta em pouco profissionais que possuem tal competência para exercer o cargo. Em razão disso, é inaceitável que essa miopia social se mantenha.

Entende-se, portanto, a temática como um obstáculo intrínseco às raízes culturais e legislativas. Logo, a mídia, por intermédio de programas televisivos de grande audiência, irá discutir o assunto com professores sociólogos, com o fito de mostrar a baixa qualificação dada ao professor, apresentar uma visão crítica e orientar os espectadores como reverter esse quadro. Essa medida ocorrerá pela elaboração de um projeto estatal, em parceria com o Ministério das Comunicações. Em adição, o Governo federal deve aumentar as verbas destinadas a qualificação dos professores. Assim, a educação outorgada pela Constituição será garantida.