Os desafios da formação de professores no Brasil
Enviada em 09/10/2021
O filme “Ao mestre, com carinho” conta a história de um engenheiro negro que recebe o convite para ser professor e, ao aceitar, se depara com alunos indisciplinados e desordeiros, determinados a destruir suas aulas. No entanto, ele não desiste de seus estudantes, tratando-os com respeito, o que faz com que abandonem o seu comportamento hostil. Fora fora da ficção, é possível perceber uma condição similar na formação dos professores no Brasil, que sofre com preconceito da sociedade e, além disso, não tem passado por nenhum processo de melhoria, por parte do governo e nem da sociedade. Nesse contexto, verifica-se um problema de contornos específicos, em virtude da insuficiência legislativa e da lenta mudança na mentalidade social.
Em primeiro plano, é preciso atentar para a insuficiência legislativa presente na questão. Nessa perspectiva, de acordo com o filósofo Aristóteles, a política tem como função preservar a integração entre os indivíduos da sociedade. Contrariamente, no país, a formação dos professores não encontra respaldo político necessário para ser solucionado, o que dificulta a resolução do problema. Desse modo, formam-se profissionais despreparados, sem um aprendizado voltado para a educação cotidiana, muitas vezes escolhem a área por não ter outra opção de curso ou até mesmo como uma profissão em segundo plano. Assim, são lançados no mercado profisisonal, pessoas despreparadas e desmotivadas em relação ao ato de ensinar.
Além disso, o tema encontra terra fértil na lenta mudança na mentalidade social. Na obra do sociólogo Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de pensar. Sob essa lógica, é possivel perceber que o processo formativo é fortemente influenciado pelo pensamento coletivo, uma vez que as pessoas crescem inseridas em um contexto social intolerante, que prioriza a graduação em profissões como medicina, engennharia e direito, e a tendência é repetir esse comportamento, desvalorizando a profissão do professor, o que torna a sua solução mais complexa, contribuindo para a precariedade.
Logo, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Para que isso ocorra, o Ministério da Educação deve fomentar investimentos em curso de capacitação e aperfeiçoamento para os professores, por meio de encontros com especialistas em didática educacional e ferramentas tecnológicas, que auxiliem no planejamento e condução do processo de ensino. Tais palestras devem ser também webconferenciadas nas redes sociais, com o objetivo de trazer mais elucidação sobre a formação profissional e atingir um público maior. Por fim, é importante que o povo brasileiro se encare como responsável pelo problema, pois, de acordo com Platão, o primeiro passo para mover o mundo é mover a si mesmo.