Os desafios da formação de professores no Brasil
Enviada em 21/10/2021
A Constituição Federativa de 1988, norma jurídica de maior hierarquia no Brasil, prevê o direito à edu-cação como inerente a todo cidadão brasileiro. Contudo, no cerne da contemporaneidade, apesar dessa garantia judicial, tal preceito não se reflete, efetivamente, no cotidiano nacional quando se observa os desafios da formação de professores no Brasil. À luz desse enfoque, é essencial analisar que essa per-versa realidade tem gênese na falta de visibilidade dada ao assunto pela sociedade e é perpetuada pela inoperância estatal. Dessarte, medidas estruturais são necessárias para reverter esse grave quadro.
Diante desse cenário deletério, é imprescindível apontar raíz da carência de debate sobre a formação de professores como catalisadora do tema no espectro brasileiro. Desde o período de Brasil Colônia, apenas certas formações acadêmicas, como medicina e advocacia, foram glamourizadas e discutidas como fonte de ascensão financeira pela classe social mais pobre por estarem atreladas à uma camada eletista. Atualmente, esse legado histórico se reflete nas faculdades brasileiras, as quais possuem mais infraestrutura em cursos concorridos do que em outras graduações. Isso posto, depreende-se a grande chaga social que a escassez de visibilidade dada aos professores se tornou, pois, enquanto a sociedade valorizar apenas cursos que trazem, muitas vezes, uma ascensão econômica mais rápida e desvalorizar as outras graduações, os desafios na formação de professores hão de se perdurarem.
Além dessa mácula social, cabe salientar a indiligência governamental no tangente às ínfimas medi-das para fornecer, de maneira prioritária, uma estrutura à formação de professores no Brasil. Isso é per-ceptível, lamentavelmente, pelos dados do Tesouro Nacional, os quais afirmam que a taxa de investi-mento em infraestrutura se configura como a menor em 10 anos. Nesse sentido, essa conjuntura, con-forme a máxima do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, faz com que o Ministério da Educação (MEC) se configure como uma instituição “zumbi”, isto é, uma corporação que viola sua incumbência de garan-tir que alguns cidadãos brasileiros desfrutem de direitos indispensáveis previstos na Constituição Cida-dã, como uma educação de qualidade. À vista disso, infere-se que a ineficiente máquina estatal opera como uma organização “zumbi” ao cercear os professores a um cenário nefasto de descaso estrutural.
Logo, os desafios supracitados precisam ser remediados. Assim, cabe ao MEC — haja vista ser a ins-tância responsável pelas políticas públicas voltadas à educação de qualidade — investir equitativamen-te nas diferentes graduações, por meio do aumento de verbas cedidas à essa organização pelo Tribunal de Contas da União, a fim de melhorar a infraestrutura que forma professores e, com efeito, atrair a atenção da população à cursos estigmatizados. Espera-se, com isso, que a sociedade seja permeada pela efetivação dos elementos elencados na Carta Magna.