Os desafios da formação de professores no Brasil

Enviada em 01/11/2021

A sociedade brasileira tende a falar a mais do que a sua própria capacidade de agir permite. Isto é, escuta-se por aí sobre a importância dos bons professores, sobre como eles moldam os futuros cidadãos que melhorarão as condições do país, sobre como é essencial que o governo invista fortemente na educação, mas, atualmente a realidade difere do que é dito pela superfície. Desse modo, a cultura brasileira fala com veemência, mas age com preguiça e lentidão.

Em primeira análise, deve-se salientar que, segundo Ivan Gontijo, coordenador de projetos na ONG Todos pela Educação, 70% dos alunos de Pedagogia possuem nota abaixo da média do Enem.  Isso ocorre, pois esses alunos de pedagogia são frutos do ensino atual, e, um ensino decaído peca na formação de uma maioria que, por consequência, pecará na formação da maioria seguinte,  entrando em um ciclo de má formação básica.

Ademais, o curso de pedagogia é visto como um curso inferior, hoje em dia. Segundo a pesquisa lançada pelo Banco Interamericando de Desenvolvimento (BID), se somarmos elementos como “falta de condição financeira para outra graduação” com a influência familiar e as pessoas que cursam a faculdade de Pedagogia como uma segunda opção, temos cerca de 15% do futuro  corpo docente classificados como pessoas que não desejavam, em primeiro plano, trabalhar com pedagogia. O número não parece estatísticamente grande, mas se levarmos em consideração a quantidade de professores de ensino básico no Brasil, nos deparamos com um enorme problema.

Desse modo, precisamos de projetos para que melhoremos o corpo docente universitário de pedagogia. Não somente o governo, mas a quem tiver o poder de fazer algo, cabe  a tarefa de promover bolsas de estudo e produzir incentivo para que os que tiverem melhores notas no Enem e os alunos com um bom histórico escolar cursem faculdades de Pedagogia. Assim, a partir deste feito, teremos uma cultura mais atuante, ao invés de tão presa ao discurso.