Os desafios da formação de professores no Brasil
Enviada em 18/11/2021
A constituição federal de 1988, prevê em seu artigo 6°, o direito ao acesso à educação gratuita e de qualidade para toda a população do país. Entretanto, não é exatamente este o cenário que se concretiza na prática, tendo como um dos seus principais obstáculos os arrochos na formação de professores no Brasil. Diante disso, é fundamental analisar os fatores que se desdobraram nesse quadro, como a mercantilização da educação bem como a omissão por aparelhamento político do estado.
Inicialmente, é importante ressaltar que, no Brasil, o mercado financeiro e industrial exerce forte influência no processo de formação dos professores. Tal fenômeno acontece por se criar uma demanda de mão de obra puramente técnica e preferivelmente alheia à sociedade, tendo isso em mente o mercado negocia as diretrizes curriculares com faculdades e escolas. Nessa conjuntura é essencial ressaltar que os professores estão de mãos atadas nesse processo, pois sua formação é direcionada para esse fim e, mesmo após formados, são obrigados a seguir a mesma lógica de ensino, que são beasada nas reinvidicações de marcado, minando a autonomia de ensino dos educadores.
Para além disso, ressalta-se a ausência de medidas governamentais que contenham a mercantilização da educação. Vale apontar que, no Brasil, essa situação é agravada pelo extenso histórico de lobby e aparelhamento do estado por este mesmo mercado. Desde o ano de 2008 a Diretriz Nacional Curricular, documento que rege o escopo disciplinar no Brasil, vem sofrendo alterações continuas de forma a tirar matérias que desenvolvam o senso crítico do aluno, como as disciplinas do campo das ciências humanas, e dando cada vez mais ênfase nas disciplinas tecnocientíficas, resultando, justamente, no profissional técnico e alienado. Ademais, o estado investe aquém do que devia em educação continuada, salários e progressão de carreira, resultando em profissionais cansados, algumas vezes desatualizados e sem muita perspectiva.
À luz do exposto, é possível se estabelecer um paralelo com o texto “As cidadanias mutiladas”, do professor e geógrafo Milton Santos, o qual disserta que a democracia só é efetiva quando os direitos são universais e desfrutados de fato por todos os cidadãos. Para tanto é crucial otimizar o processo de formação do professores diminuindo a influência das exigências puramente mercadológicas. Para se alcançar esse objetivo é essencial que o MEC, junto à sociedade civil, se unam, de forma análoga aos conselhos de saúde do SUS, para decidir, em conjunto, os rumos da educação brasileira, a fim de conferir mais liberdade ao processo de formação dos professores e uma educação efetivamente libertadora. Assim se consolidará uma sociedade mais justa e coerente, garantindo o real acesso ao tão importante direito à educação, proposto pelo artigo 6° da constituição.