Os desafios da formação de professores no Brasil
Enviada em 23/11/2022
No livro “Pedagogia da Autonomia”, Paulo Freire defende a relação ensino-aprendizagem como uma ação transformadora em que o aluno não é mero receptor, mas participante da construção de saberes. Nesse contexto, defende-se que, embora existam inúmeros desafios, é possível transformar a sociedade por meio do investimento massivo em educação pública. Logo, cada real investido na formação dos docentes é um passo para a transformação do país, já que cria-se um ambiente de valorização profissional.
Nesse sentido, é lícito lembrar-se do documentário “Nunca me sonharam”, da diretora Cacau Rhoden, já que ali vislumbram-se iniciativas de professores engajados em aperfeiçoar-se profissionalmente e transformar o panorama educacional pátrio. Dessa forma, alunos que antes vandalizavam as dependências escolares agora ajudam com pinturas e pequenas reformas, uma vez que foram tocados pela postura de interesse e interlocução dos mestres.
Outrossim, apesar de ter de enfrentar desafios como gravidez, baixos salários, tráfico de drogas, esses educadores conseguem criar mecanismos para incluir, agregar e engajar os alunos. Assim sendo, posto que o PNAD-IBGE( 2015) indique que há 1,6 milhão de adolescentes de 15 a 17 anos fora das salas de aula, naquelas escolas visitadas pelos produtores do filme, não só os professores, como também os alunos conseguiram estimular muitos dos que já haviam abandonado a retornar às aulas. Por conseguinte, vislumbra-se como tais profissionais do ensino conseguem superar desafios, quando encontram-se integrados na comunidade.
Portanto, urge que Escola crie projetos de educação participativa. Isso pode ser feito por meio da articulação entre diretores das Escolas e a sociedade civil. No filme, alunos mandam cartas para os colegas que haviam abandonado a instituição, logo, com esse singelo ato de atenção, conseguiu-se reduzir a evasão. Paralelamente, deve-se premiar projetos transformadores e os divulgar pela tv e mídias sociais, na medida em que essas experiências podem estimular outros professores a transformar a comunidade pelo exemplo e estudo contínuo. Para isso, deve-se usar os instrumentos indicados por Paulo Freire, que via a educação como um ato de amor e coragem de construir um mundo mais justo e igualitário.