Os desafios da formação de professores no Brasil
Enviada em 11/10/2023
Para o filósofo prussiano Immanuel Kant, o homem é aquilo que a educação faz dele. Nesse sentido, observa-se, no Brasil, um potencial do uso da escola como ferramenta de promoção à cidadania. Entretanto, a desvalorização de professores e a desigualdade educacional vem gerando uma carência de pessoas dispostas a seguir essa carreira, criando um desafio para a formação de educadores. Diante do exposto faz-se imprescindível a análise de fatores que favorecem esse quadro.
A priori, é importante ressaltar a débil ação do poder público vista na ausência de medidas governamentais para debelar a escassez de investimentos na educação. Feito que confronta diretamente com o texto constitucional, haja vista, que ele determina, em seu 6o artigo, como dever do Estado, a promoção de educação. Ademais, no texto “As cidadanias mutiladas”, o geógrafo brasileiro Milton Santos pontua que a democracia somente é efetiva à medida que atinge a totalidade do corpo social, ou seja, quando os direitos são desfrutados por todos os cidadãos. No entanto, a falta de incentivos educacionais para a formação de docentes evidencia que infelizmente não há democratização da educação.
Além disso, a escassez de providências concretas para a formação acadêmica vem do histórico de desigualdade social presente no país e contribui com o obstáculo. Nesse viés, conforme o Laboratório das Desigualdades Mundiais, o Brasil é um dos países mais desiguais do mundo, uma vez que o 1% mais rico dispõe de quase metade da fortuna patrimonial brasileira. Dessa forma, nota-se que a pobreza e a desigualdade coadjuvam para o desinteresse e dificuldade de acesso ao ensino, uma vez que há comumente a depreciação do estudo em populações marginalizadas.
Portanto, é necessária a aplicação de condutas para mitigar a problemática discutida. Logo o Poder Executivo, como responsável por administrar os interesses públicos, em sinergia com o Ministério da Educação, deve auxiliar na criação de políticas que preconizam a melhora de direitos trabalhistas de professores, além de campanhas que promovam a importância de docentes, que e incentive o ingresso nas áreas de ensino afim de arrefecer a disseminação da problema e desse modo permitindo a equidade prevista na Constituição.