Os desafios da formação universitária
Enviada em 04/02/2020
Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que a elevada taxa de evasão universitária no Brasil apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto da ausência de direcionamento ao aluno formado no ensino médio, quanto da dificuldade financeira que esse geralmente encontra para se manter matriculado em cursos superiores. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.
Precipuamente, é fulcral pontuar que a inexistência de programas de direcionamento vocacional no ensino médio deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o estado é responsável por garantir o funcionamento correto da sociedade, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Devido à falta de atuação das autoridades, o estudante termina o ensino médio sem saber qual curso seguir no ensino superior, o que ocasiona, na maioria das vezes, a escolha equivocada e posterior desistência. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.
Ademais, é imperativo ressaltar a dificuldade financeira do aluno pobre como promotora do problema. De acordo com a Universidade de São Paulo-USP, em 2018, 24% dos alunos universitários brasileiros de baixa renda evadiram de seus respectivos cursos. Partindo desse pressuposto, o discente, carente de recursos financeiros, precisa trabalhar para se manter, não obstante, caso perca o emprego, possivelmente, deixará a faculdade por falta de recursos.
Assim, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da problemática na sociedade brasileira. Dessarte, com o intuito de mitigar o a evasão universitária em território nacional, necessita-se, urgentemente, que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio do Ministério da Educação, será revertido na criação de matérias optativas de cada profissão no ensino médio, as quais direcionarão o aluno na escolha da profissão. Também, é de extrema importância a criação de bolsas e auxílios financeiros aos acadêmicos de baixa renda para que concluam o curso iniciado . Desse modo, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto nocivo da interrupção prematura de cursos universitários no Brasil e a coletividade alcançará a “Utopia” de More.