Os desafios da formação universitária

Enviada em 19/03/2020

A chegada da família real portuguesa, em 1808, marca o início da constituição do núcleo de ensino superior no Brasil, que no começo era extremamente elitizado. Mas com o decorrer do tempo, as universidades passaram por uma série de mudanças, e como consequência houve o aumento e a diversificação do público, o crescimento de unidades, a proliferação das instituições particulares e a formação de novos cursos. Entretanto, a formação universitária é um dos principais problemas da educação brasileira atualmente, já que há um alto índice de evasão e graves falhas no sistema acadêmico.

Nesse contexto, é necessário salientar que segundo o filósofo prussiano Immanuel Kant, a educação é essencial para a construção da autonomia dos indivíduos, pois os ensina a usar a própria razão para deliberar sobre seu modo de agir. Evidencia-se, assim, o papel fundamental do ensino superior na vida dos jovens. Contudo, muitos estudantes desistem de seus cursos e os principais motivos são: dificuldades financeiras, ideia equivocada do curso e perspectiva negativa de salário e condições de trabalho, segundo pesquisas realizadas pelo jornal Carta Capital. Logo, faz-se mister solucionar as causas da evasão universitária e possibilitar a formação de sujeitos mais autônomos.

Ademais, cabe analisar o sistema acadêmico sob a perspectiva do educador, escritor e filósofo Paulo Freire. Segundo o autor, a educação deve ter como base o respeito pelo educando, a conquista da autonomia, consciência crítica e capacidade de decisão, tendo a dialogicidade como fio condutor do processo de ensino-aprendizagem. Porém, em grande parte das universidades valoriza-se elevadas cargas horárias e um rígido sistema de encadeamento de disciplinas, segundo dados do Ministério da Educação (MEC), em detrimento do saber técnico-científico das diferentes áreas de conhecimento, da cultura e do contexto onde acontece o ensino, desmotivando o aluno a concluir seus estudos.

Assim, cabe ao MEC, ramo do estado responsavel pela formação civil, por meio de verbas governamentais, ampliar o sistema de bolsas acadêmicas e promover maior entrosamento entre as instituições formadoras e conselhos profissionais, a fim de que os estudantes não desistam de se graduar por problemas financeiros e visando a formação profissional mais efetiva e qualificada, sem ideias equivocadas sobre salário ou carreira. Retomando Freire, se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda.