Os desafios da formação universitária

Enviada em 20/03/2020

O escritor brasileiro Ariano Suassuna conta em uma de suas entrevistas que fez faculdade de direito por haver poucas opções de curso em sua época. Relata, ainda, que trabalhou por pouco tempo com advogado, encontrando-se profissionalmente como escritor. Nesse sentido, embora existam, atualmente, diversas opções de escolha, a formação universitária, seja com o propósito de aprimoramento pessoal ou profissional, encontra diversos obstáculos no Brasil. Situação essa decorrente da falta de orientação e da condição social precária de muitos brasileiros.

Em uma primeira análise, os jovens, maioria entre os calouros, geralmente com pouco experiência de vida, sentem-se inseguros em escolher qual carreira universitária seguir. Dessa forma, de acordo com o Ministério da Educação e Cultura, em média, menos de 80% dos alunos ingressantes concluem o curso. Assim, a ausência de um aconselhamento nessa etapa da vida resulta nos elevados níveis de evasão no ensino superior.

Somado a isso, a escassez de recursos financeiros prejudica o desempenho acadêmico e, por vezes, impede a entrada na universidade. Destarte, o geógrafo e médico Josué de Castro identifica em sua obra “Geografia da fome” a relação entre a má alimentação na infância com o baixo desempenho cognitivo. Logo, pessoas oriundas de regiões do brasil com pobreza endêmica, que não recebem uma alimentação suficiente para um bom desenvolvimento físico, têm dificuldades em obter êxito no ensino superior.

A falta de uma consultoria sobre os cursos universitários e a carência econômica são, portanto, entraves para a formação superior. Desse modo, o conselho federal de psicologia em parceria com as escolas devem oferecer palestras custeadas pelo governo. Tal medida objetiva a oferta de orientação profissional a fim de que a escolha do curso superior seja tomada de forma consciente, para que o aluno se identifique com sua escolha, diferente de Ariano Suassuna, e reduza a evasão. Ainda, o Estado, implante uma taxação sobre grandes fortunas e direcione esse recurso à parcela mais vulnerável economicamente aumentando o valor dos benefícios sociais. Desse jeito, será possível atenuar a problemática do ensino universitário no Brasil.