Os desafios da formação universitária

Enviada em 13/07/2020

Durante o período conhecido como Idade Média, o ingresso e permanência no ensino superior era uma realidade apenas de indivíduos nobres ou ligados à igreja. Analogamente à atualidade, sabe-se que tal elitização ainda possui resquícios no mundo contemporâneo, uma vez que há entraves no que tange à conclusão da graduação no ensino superior. Assim, é notória a configuração de uma problemática, causada não só pelos altos custos da vida universitária, como também pela dificuldade de acompanhamento do curso devido à base pedagógica escassa.

Inicialmente, é válido ressaltar a questão dos gastos exacerbados durante a faculdade. Exemplo disso, é visto na série televisiva “Glee”, na qual Rachel, aluna do curso de artes, passa a trabalhar em uma lanchonete para suprir os custos da rotina do ensino superior. Fora da ficção, tem-se que o mesmo ocorre na atualidade, uma vez que o Estado, ao burocratizar a obtenção de auxílios estudantis, faz com que os alunos de baixa renda tenham dificuldade para arcar com os gastos da faculdade, como transporte e alimentação, e, assim, de permanecer no curso. Desse modo, o processo de elitização do ingresso e conclusão do ensino superior torna-se cada vez mais presente na contemporaneidade, e carece de uma intervenção estatal.

Além disso, é importante mencionar a questão da dificuldade de acompanhamento do curso, dada a defasagem pedagógica. Isto é, no seriado americano “Scorpion”, tem-se como foco narrativo a questão da superinteligência de um grupo de ex-universitários estadunidenses. Entretanto, sabe-se que isso não condiz com o cenário atual, tal que, com a precarização do ensino básico público, ou seja, com falta de investimento governamental em recursos e em estrutura, o processo de aprendizagem dos alunos é comprometido, levando-os a dificuldades futuras de entendimento das aulas do curso superior. Logo, há uma inadimplência constitucional no que tange ao direito à educação de qualidade, acarretando a instabilidade social.

Portanto, é imprescindível que haja uma intervenção estatal para a dissolução dessa problemática. Para tal, o Ministério da Educação deve, por meio de verbas governamentais, criar programas públicos que ofereçam bolsas de permanência universitária aos alunos que comprovem baixa renda. Esses programas funcionariam de modo a ofertar aos indivíduos do ensino superior bolsas que permitam sua conclusão do curso, cobrindo gastos como alimentação, transporte e materiais didáticos, além de se desburocratizar sua obtenção, dada uma análise prévia, ainda na matrícula, de alunos em potencial para essas bolsas. Por conseguinte, a conclusão do ensino superior se tornaria uma realidade na sociedade brasileira, visto que o acesso à educação seria democratizado.