Os desafios da formação universitária

Enviada em 21/08/2020

Em abril de 2019, o governo anunciou um contingenciamento de 30% das verbas para universidades. Isso mostra que a formação universitária dos brasileiros enfrenta graves obstáculos, os quais são favorecidos por ações estatais como a supracitada. Nesse contexto, desafios governamentais e sociais dificultam não só o alcance do ensino superior, como também a conclusão dele. Desse modo, medidas de combate a tais problemáticas são de extrema necessidade.

De início, cabe elucidar a lacuna estatal que gera sucateamento do ensino público em geral. Sob esse ângulo, a insuficiência de verbas para a educação afasta os alunos das instituições de educação, em virtude da consequente queda na qualidade e na estrutura no ensino, seja na universidade, seja nos ensinos fundamental e médio. Em meio a isso, nos dois casos há prejuízo para a formação universitária, em função da menor oferta de equipamentos e materiais e da falta de conhecimentos básicos consolidados, respectivamente. Prova disso é o documentário “Pro dia nascer feliz”, o qual desvela a disparidade entre a qualidade da educação pública, carente de investimentos, e do ensino privado, melhor organizado haja vista que não depende do Estado.

Além disso, vale ressaltar que a desigualdade social também é um empecilho para a formação universitária no Brasil. Nesse sentido, segundo o filósofo Thomas Marshall, a cidadania é o conjunto de direitos civis, sociais e políticos, que todo cidadão deve ter acesso. Não obstante, na realidade nacional, os mais pobres enfrentam dificuldades para ter acesso à educação universitária - um direito básico - pois estudar traz custos, como alimentação, transporte e materiais, os quais sobrecarregam as pessoas com menor poder aquisitivo. Em síntese, a questão financeira é um desafio para muitos brasileiros  alcançarem e concluírem o curso superior.

Portanto, observa-se que a inobservância estatal e o aspecto monetário são gargalos para a formação universitária no Brasil e, por isso, devem ser atenuados. Por conseguinte, é imperioso que o Ministério da Educação garanta condições para os cidadãos se formarem no ensino superior. Isso deve ser feito por meio da implantação de mais ensino fundamental e médio em tempo integral, ofertando reforço escolar básico gratuito, e de parcerias com empresas privadas, oferecendo mais estágios remunerados, respectivamente. Assim, a finalidade de melhorar o ensino fundamental e mitigar os entraves pecuniários dos estudantes será efetivada.