Os desafios da formação universitária

Enviada em 15/01/2021

Avanços recentes na democratização de acesso aos ambientes universitários brasileiros contrastam com o passado colonial de tardia instalação de universidades, cujos saberes representavam estimula à sedição emancipacionista. Entretanto, o baixo número de vagas das instituições pode ser suplantado por dois outros fatores que corroboram os desafios ao setor. Afinal, um baixo interesse estudantil e um atrasado sistema educacional marcam o ensino superior nacional.

Em primeira análise, poucos alunos desejam, ou ainda, podem ingressar nas faculdades. Em contexto, as escolas são marcadas pela decoração de conteúdos de rasa aplicabilidade prática e por alunos de baixa proficiência linguística e matemática, segundo dados do Inaf (Indicador de Analfabetismo Funcional). Consequentemente, tais estudantes (potenciais universitários), para os quais o diploma de conclusão de ensino médio não só lhes priva do ambiente traumático, como lhes possibilita a inserção no mercado, encontram-se despreparados e desinteressados nos exames de ingresso às universidades. Desse modo, o ensino superior mostra-se ora inalcançável, ora indesejado por jovens, em um Brasil antidemocrático.

Em segundo plano, após democratizados, tais espaços urgem ser remodelados. Em outras palavras, de acordo com o ex-ministro da Educação Renato Janine, o sistema educacional discutido não reflete o futuro do mercado. Nesse sentido, o fato de o país concentrar metade das escolas de Direito do mundo, mas somente aprovar 20% dos bacharéis da área no exame de regulamentação profissional explicita uma massa de qualificados não absorvidos pelas empresas. Por conseguinte, as demandas futuras por versatilidade do trabalhador (polivalência) exigem, em contraste, cursos menos específicos, ampliados em uma larga multidisciplinaridade. Logo, um novo sistema é mandatório para um novo Brasil.

Em suma, o ensino superior deve atrair mais estudantes e repaginar-se diante das demandas futuras. Urgentemente, o MEC (Ministério da Educação) precisa modificar o sistema de ensino- desde o fundamental ao superior-, por meio de alterações na base comum curricular e nos cursos universitários. Como exemplo, a instituição de disciplinas menos “conteudistas”, como o Teatro, no ensino médio e a criação de cursos que compreendam diversas áreas do conhecimento, tais como História, Ética, Filosofia e Geografia (em contraponto ao Direito), nas universidades, tornam-se necessárias para que o Brasil rompa com a exclusão. Só assim, o passado colonial será, de fato, “passado”.