Os desafios da formação universitária

Enviada em 28/12/2020

Nos últimos anos, o ensino superior passou por uma série de mudanças intensas, não só nos seus meios de acesso - com o Enem, o Fies, o Prouni, as cotas sociais e raciais -, mas também na sua estrutura, com o aumento e diversificação do público, o crescimento de unidades, a proliferação das instituições e a formação de novos cursos. Alguns problemas, porém, continua crescendo e criando processos no desenvolvimento de novas vantagens. Cabe, então, analisá-los, buscar resolvê-los e fazer da universidade pública brasileira uma referência mundial.

Em primeiro lugar, pode-se dizer que o horizonte do ensino superior brasileiro é indefinido, uma vez que o seu próprio presente não parece ter uma clara descrição. De um lado, há uma concepção clássica, criada na Idade Média e cultivada ao longo de toda a Moderna, para a qual o meio universitário é o lugar da excelência do conhecimento, centralizando a busca da verdade e aprimorando a vida intelectual. De outro, movida por razões fundamentalmente, a economia, há aquela que vê a universidade como um espaço em que o estudante obtém um diploma para o mercado. Faça seu ponto de vista, uma visão tradicional é elitista, por reservar a universidade a poucos. Uma vez que o mercado de trabalho exige, hoje, o certificado, uma academia deve ser um ambiente amplamente democratizado, aberto à ascensão profissional e social de todos.

Entretanto, apesar de, a princípio, como duas definições parecer constituir um paradoxo, uma universidade pode sim ser simultaneamente espaço de produção de conhecimento e realizar uma função pragmática de formar pessoas para o comércio. O problema é que, no mundo concreto e real, no momento de gerir uma universidade, por exemplo, diante da escassez de recursos, o reitor terá de selecionar entre dar mais recursos para as pesquisas de física teórica ou aumentar o número de vagas no curso de engenharia; para financiar a criação de uma revista referência em filosofia analítica ou criar uma rádio da universidade, garantindo um estágio para os alunos de comunicação social. Conciliar as duas concepções, então, parece o grande desafio do ensino superior.

Torna-se evidente, então, que o grande obstáculo da universidade brasileira, hoje, está na sua definição própria, que parece impedir o seu desenvolvimento. Uma solução bastante prática e eficiente é a operar uma cisão clara entre essas duas visões de instituição. Seria ótimo para o Brasil, assim como foi na Alemanha, adotar tal modelo, uma vez que, superando o impasse do sistema atual, cada curso poderia seguir a sua vocação particular de maneira livre. O Poder Público e as empresas merecem, dessa forma, investir nas duas modalidades de ensino, garantindo aos futuros boas opções de alunos. Só assim, resolvendo esse conflito será possível perceber, de fato, um futuro na universidade brasileira.