Os desafios da formação universitária

Enviada em 08/10/2021

A Constituição Federal de 1988 - norma de maior hierarquia do sistema jurídico brasileiro - assegura a todos os cidadãos o direito à educação. No entanto, na conjuntura contemporânea, nota-se que essa prerrogativa não é efetiva na prática, em decorrência dos desafios da formação universitária, os quais, em sua maioria, limitam a participação de milhares de jovens ao ensino superior. Nesse contexto, urge analisar como a negligência estatal e a condição socioeconômica dos indivíduos impulsionam tal problemática.

Convém ressaltar, a princípio, que os obstáculos da formação universitária estão intrinsecamente relacionados à inobservância estatal. Segundo Thomas Hobbes, teórico contratualista, o Estado é responsável por assegurar o bem-estar social de uma comunidade. Entretanto, a máquina administrativa rompe a tese de Hobbes, uma vez que não cumpre o seu papel de garantir aos cidadãos acesso ao ensino superior. Nesse viés, a educação ofertada nas escolas públicas não preparam os discentes adequadamente para inserirem em uma faculdade, o que faz com que milhares de alunos terminam o ensino médio sem terem uma base de conhecimento sólida consolidada. Desse modo, os mínimos investimentos direcionados para essas instituições prejudica a inclusão desse público ao ensino superior.

Outrossim, vale salientar como a condição socioeconômica dificulta a inserção dos cidadãos no ensino superior. De acordo com dados do último senso divulgado pelo governo federal, 63% dos estudantes do ensino superior, estudam à noite. Nessa perspectiva, um parcela desse público necessita trabalhar para se sustentar e, concomitantemente, conseguir estudar, haja vista que muitos jovens precisam mudar de cidade e as famílias não possuem condições financeiras de ajudarem os seus filhos a se manterem durante esse período de estudo. Dessa forma, a situação econômica impede que muitos indivíduos desfrutem do acesso a uma faculdade.

Infere-se, portanto, que é imprescindível adotar medidas estratégicas para minimizar os desafios da formação universitária. Logo, cabe ao Ministério da Educação - ramo do Estado responsável pela formação civil -ampliar os investimentos nas instituições de ensino básico, desde as séries iniciais, os quais sejam direcionados para a preparação dos discentes. Isso deve ser feito por meio de recursos liberados pelo Tribunal de Contas da União, a fim de possibilitar que mais cidadãos entrem no ensino superior com uma base sólida de conhecimento. Assim, tornar-se-á possível a construção de uma sociedade permeada pela efetivação dos elementos elencados na Magna Carta.