Os desafios da formação universitária

Enviada em 12/10/2021

Em seu livro “As Vantagens do Pessimismo”, o autor Roger Scruton louva a expansão da democracia e das instituições de educação ao redor do mundo. No entanto, o aumento das universidades no Brasil não trouxe soluções para os problemas tangentes à formação superior, estes caracterizados pela precária educação prévia à faculdade e pela visão de curto prazo social incentivada pelas estruturas capitalistas. Desse modo, tais obstáculos favoráveis à evasão universitária são inconcebíveis e merecem um olhar mais crítico de enfrentamento.

Em primeiro lugar, é válido reconhecer como a educação prévia tem dificultado a formação universitária. Acerca disso, é pertinente trazer o discurso do filósofo John Locke, no qual ele afirma que o ser humano nasce como uma folha em branco, isto é, desprovido de conhecimentos prévios. Assim, sabendo que os ensinos públicos falham no que tange ao aprendizado do aluno, o estudante de baixa renda, que compreende a maior parte da população, entra para a faculdade já com deficiência escolar, o que torna muito difícil o progresso universitário, tendo em vista os desestímulos provindos de dependências e de uma desigualdade do ensino.

Em segundo lugar, vale salientar como a liquidez das relações sociais favorecem a desistência de uma formação superior. Isso porque, de acordo com o sociólogo Zygmunt Bauman, a sociedade capitalista moderna é marcada por uma superficialidade social, na qual esta ‘liquidez” nas relações escorre para outros setores sociais. Sendo assim, muitos abandonam a faculdade por ter um planejamento de vida orientado a curto prazo, o que inclui abandonar os estudos para adquirir bens materiais, ou por achar que muito tempo será gasto nos estudos. Por fim, seria negligente não notar como o mercado dificulta a formação universitária, ao fazer publicidade de cursos rápidos que seriam “equivalentes” às faculdades, ou ao incentivar a terceirização, que independe de formação superior.

Portanto, são necessárias medidas capazes de mitigar essa problemática. Para tanto, as instituições escolares são responsáveis pela educação que prepara o estudante para sua chegada à universidade. Sendo assim, cabe ao poder executivo um aumento no orçamento destinado à educação de base, especialmente para as cidades mais periféricas e carentes, com este orçamento sendo utilizado pelas escolas para a melhora do ensino. Ademais, cabe ao Ministério da Educação veicular campanhas de conscientização, através das redes sociais, a fim de mitigar os desincentivos provindos do mercado contra as instituições universitárias, orientando a população quanto à importância do curso superior. De tal maneira, o Brasil poderá aproveitar ao máximo a expansão da educação mencionada por Scruton.