Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 30/09/2025

A obra “O Pequeno Príncipe”, do escritor Antoine De Saint- Exupéry, retrata a busca de um menino por um lugar que o acolha de forma plena. Fora do campo literário, nota-se também, no contexto brasileiro atual, a busca por um ambiente receptivo para pessoas com autismo, uma vez que a inclusão desses indivíduos é uma problemática decorrente da omissão estatal e da falta de conhecimento social acerca do transtorno.

Diante desse cenário, é válido ressaltar o descaso governamental como um dos entraves para a inserção bem sucedida de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) no meio social. Nesse viés, é notório que o Poder Público não investe na dignidade dessas pessoas, haja vista que escolas e locais públicos não atendem as necessidades exigidas pela TEA, como pictogramas, atendimento preferencial e a capacitação de profissionais para o recebimento desse grupo. Isso acontece porque é mais rentável ocultar a causa ao ter o gasto de tornar o sistema público acessível. Em consonância com tal tese, o sociológo Karl Marx afirma que o Estado prioriza o lucro em detrimento da proteção ao outro. Sob esse prisma, os mecanismos legais são falhos na função de incluir de forma plena esses indivíduos.

Ademais, convém destacar a alienação social a respeito do espectro autista, premissa a qual parte do não conhecimento difundido nas escolas, e como consequência, a exclusão dessas pessoas. Nessa perspectiva, o livro “O Manual da Psiquiatria” menciona que a sabedoria adquirida nas instituições de ensino, é praticada no entorno de convívio social. Com isso, a educação torna-se indispensável na abordagem inclusiva e no entendimento da causa.

Portanto, cabe ao Ministério da Educação - sendo ele responsável pela base educacional do povo, combater a negligência na limitação de convívio das pessoas com autismo - por meio de cursos profissionalizantes sobre como atender aqueles portadores da TEA - além de adicionar a Base Comum Curricular uma disciplina denominada “Entendendo a TEA”, a fim de ensinar as nuances da comunicação autista, com o objetivo de garantir a construção de um ambiente almejado pelo menino de Saint-Exupéry.