Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 16/10/2025

A pintura “O Grito”, 1893, de Edvard Munch, retrata a aflição do indivíduo incom-preendido por aqueles que o cercam. Analogamente à realidade das pessoas com o Transtorno do Espectro Autista, TEA, no Brasil, entende-se a necessidade de de-bater os desafios para incluí-los socialmente. Dessa forma, observam-se duas pro-blemáticas centrais a serem solucionadas: a invisibilidade social sofrida e a falta de investimentos na educação.

Sob essa óptica, é inegável que as pessoas com autismo são excluídas das ativi-dades sociais. Segundo o geógrafo Milton Santos, no espaço urbano existem mino-rias relegadas ao esquecimento. Nesse sentido, nota-se que os sujeitos no espectro são estigmatizados comportamentalmente e descredibilizados quando há fuga do padrão instituído. Isso ocorre pois a mídia reforça ações as quais não englobam veridicamente as características do transtorno, como, por exemplo, a afirmação de que eles não possuem emoções e não conseguem se comunicar. Essa série de es-tereótipos atrasam a inclusão social, alimentam o preconceito em relação ao grupo e excluem aqueles que destoam desse molde.

Ademais, a deficiência no sistema educacional brasileiro contribui para a perpe-tuação da questão. “A inclusão só acontece quando se aprende com as diferenças e não com as igualdades”, afirmou o educador Paulo Freire. No entanto, no Brasil, o modelo escolar vigente atende majoritariamente apenas sujeitos neurotípicos. Tal fato decorre da ausência de diversidade dos funcionários escolares e desqualifi-cação dos profissionais da educação, o que mantém a estrutura pedagógica cen-trada na pessoa típica. Desse modo, sustentam-se práticas preconceituosas, como o bullying e isolamento em atividades coletivas, as quais afetam o desenvolvimento acadêmico e emocional do estudante neurodivergente.

Portanto, urge solucionar o cenário. Assim, cabe ao Ministério da Educação, em conjunto com a mídia - ferramenta capaz de informar a sociedade -, reduzir a ima-gem irreal das pessoas autistas propagada pela sociedade. Tais ações devem ser feitas por meio da inclusão de indivíduos com TEA em ambientes escolares e cam-panhas televisivas que informem acerca de diversidade e integração do grupo. Tu-do isso a fim de efetivar a participação de todos no corpo social.