Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 04/11/2025

A série “The Good Doctor” retrata o preconceito sofrido por Shaun Murphy, um médico autista que, em razão de sua neurodivergência, precisa provar constantemente sua capacidade profissional. Paralelamente ao cenário fictício, os desafios para a inclusão de pessoas com autismo são uma realidade na sociedade brasileira, uma vez que tanto a falha educacional quanto o silenciamento midiático configuram-se como raízes dessa problemática.

Nesse contexto, a inoperância das instituições de ensino intensifica esse imbróglio. Diante disso, é válido trazer à tona que, de acordo com o sociólogo Émile Durkheim, a escola é o segundo mecanismo de socialização dos indivíduos, responsável por moldar hábitos e comportamentos. No entanto, em vez de promover aulas que reforcem a igualdade entre pessoas neurodivergentes e neurotípicas, muitas escolas priorizam conteúdos técnicos e científicos, o que, consequentemente, culmina na exclusão desses indivíduos.

Ademais, a passividade das mídias diante da ausência de representatividade de pessoas com autismo constitui uma mazela relevante. Nessa perspectiva, vale considerar que, para o sociólogo Pierre Bourdieu, os meios de comunicação detêm um poder simbólico capaz de legitimar certas pautas e silenciar outras. Assim, percebe-se que as redes sociais e veículos de imprensa priorizam conteúdos de maior viés econômico e, por isso, relegam a segundo plano temas como a inclusão de pessoas autistas em campanhas eleitorais publicitárias, perpetuando a invisibilidade desse grupo.

Portanto, conclui-se que é de extrema importância a adoção de medidas que combatam os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil. O Ministério da Educação deve promover aulas e palestras obrigatórias, ministradas por especialistas em neurodiversidade, a fim de estimular o respeito e a convivência igualitária nas escolas. Paralelamente, as mídias devem firmar parcerias com empresas privadas para incluir pessoas autistas em anúncios e publicidades, promovendo representatividade e reduzindo a exclusão social. Dessa forma, o cenário visto em “The Good Doctor” permanecerá, em sua maior parte, restrito à ficção.