Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 21/02/2026

A série “Um bom doutor” retrata o dilema do médico Shaun Murphy, o personagem é uma pessoa autista que apresenta altas habilidades em relação as práticas médicas e entraves relacionados ao convívio no ambiente de trabalho. Na obra ficcional, observa-se uma dinâmica pautada nos desafios da inclusão de pessoas neurodivergentes, na qual a romantização da superdotação do personagem acaba quando a barreira da interação social aparece e revela as dificuldades reais. Assim, ao inserir a dramaturgia no contexto brasileiro, infere-se que o estigma em relação a neurodiversidade persiste. Em razão disso, deve-se discutir a democratização do acesso ao diagnóstico e promover a inclusão social.

Em um primeiro momento, é necessário ressaltar a dificuldade no acesso ao diagnóstico na rede pública de saúde. Para fundamentar essa ideia, a Organização Mundial da Saúde destaca que o diagnóstico precoce de espectro autista (TEA) é fundamental para melhorar o desenvolvimento, as habilidades sociais e a qualidade de vida. Por conseguinte, entende-se que a falta de profissionais mediante a alta demanda da busca por diagnósticos atrasa a intervenção precoce, afetando a autonomia e acesso à diretos. Dessa forma, o Estado deve buscar medidas para diminuir o tempo de espera.

Sob outra ótica, é necessário a compreensão acerca da importância da inclusão social. A Lei Berenice Piana instituiu a política de proteção dos direitos da pessoa autista, no Brasil é assegurado o acesso à educação, saúde e mercado de trabalho em igualdade de condições. No entanto, o preconceito e a ausência de adaptações nos ambientes educacionais e laborais dificultam a participação dessas pessoas na sociedade. Frente a isso, compreende-se que é necessário uma mudança efetiva.

Em suma, conclui-se que a inclusão promove a valorização da diversidade. Portanto, cabe ao Estado, por meio de uma parceria com o Ministério da Saúde, desenvolver um projeto para sanar e reduzir as filas de espera para a obtenção do diagnóstico, como, por exemplo a contratação de pessoas devidamente capacitadas para agilizar o processo, assim como investir em campanhas publicitárias estimulando a busca pelo diagnóstico. Por fim, a inclusão é um processo de construção para uma sociedade mais igualitária.