Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 06/07/2026

A obra “O Poder da Neurodiversidade”, do psicólogo Thomas Armstrong, propõe uma perspectiva inovadora acerca das neurodivergências, defendendo-as como variações naturais da mente humana, capazes de enriquecer a sociedade. No entanto, o cenário contemporâneo brasileiro ainda se encontra distante dessa visão pluralista, sendo marcado por obstáculos enfrentados por indivíduos com diferentes condições neurológicas, como o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Dessa forma, torna-se essencial combater a padronização das instituições sociais e a persistência do capacitismo estrutural.

À vista disso, é evidente que a inflexibilidade das entidades públicas intensifica os desafios enfrentados por pessoas autistas. Nesse contexto, a obra cinematográfica “Como Estrelas na Terra” retrata uma criança com dislexia que é considerada incapaz por aqueles ao seu redor, até que um professor compreende seu funcionamento distinto e adota estratégias pedagógicas adequadas. Sob essa perspectiva, entende-se que, quando escolas, espaços de trabalho e demais ambientes coletivos não oferecem adaptações inclusivas, mas tentam enquadrar todos os indivíduos em um mesmo modelo de comportamento e aprendizagem, pessoas com características diferentes acabam excluídas e incompreendidas. Dessa maneira, o formato rígido das instituições sociais corrobora a negligência em relação à população com TEA.

Ademais, a presença de estigmas enraízados no pensamento da sociedade prejudica diversos âmbitos da vida de grupos neurodivergentes, como a socialização, a autoestima e a inserção profissional, Nesse sentido, o pensador Michel Foucault defende a ideia de que a “normalidade” é uma construção de poder, responsável por estabelecer padrões que determinam quais comportamentos são aceitáveis. Sob essa visão, a persistência dessa percepção no senso popular segrega a sociedade em grupos imaginários, construídos com base em preconceitos e desinformação, e dificulta a qualidade de vida dos autistas. Desse modo, a normatização do capacistimo na contemporaniedade surge como entrave para o acolhimento de pessoas distintas.