Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 31/10/2019

Segundo Platão, “O importante não é viver, mas viver bem”. Para o filósofo, a qualidade de vida é tão importante que ultrapassa o valor da própria existência. No entanto, no Brasil, milhares de pessoas com autismo têm seu bem-estar afetado em decorrência da sua dificuldade de inclusão social. Nesse cenário, essa situação ocorre não só pelo preconceito da população, mas também pela falta de políticas públicas que favoreçam a inserção dessas pessoas. Assim, hão de ser analisados tais fatores para mitigá-los de maneira eficaz.

A priori, apesar da pluralidade social, o Brasil pode ser considerado singular quando o assunto é preconceito. De acordo com Émile Durkheim, os valores éticos e morais são aprendidos durante a infância. Consequentemente, se uma criança cresce aprendendo que desvalorizar o outro como pessoa é algo normal, ela também irá propagar isso. Desse modo, fica evidente que o preconceito contra autistas na sociedade brasileira é reflexo de falhas no processo educacional da população, o que a leva a querer desqualificar a população com autismo. Visto isso, mudanças são necessárias para melhoria dessa realidade.

Posteriormente, há poucos esforços governamentais para inserção de pessoas com autismo na comunidade. Segundo pensamento de Thomas Hobbes, o Estado é essencial para garantir os direitos sociais, pois é regulador dos conflitos humanos. Entretanto, o governo não cumpre seu papel de beneficiar a população, uma vez que não disponibiliza meios de inserir pessoas com alguma deficiência, seja física ou psicológica, em ambientes coletivos, como escolas e demais espaços públicos. Frente a isso, infere-se que por baixa iniciativa estatal, a comunidade de pessoas com autismo acaba convivendo a margem da sociedade.

Diante do exposto, medidas exequíveis são necessárias para inclusão de pessoas com autismo na sociedade brasileira. Logo, urge que o Governo Federal promova campanhas nos municípios, visando combater o preconceito popular, além de oferecer profissionais especializados em autismo nas escolas, hospitais e demais ambientes. Para tal, essas ações devem ser realizadas por meio de projeto de lei - que é a melhor maneira de tomar decisões e beneficiar a população -, para que, assim, seja possível uma maior inserção de pessoas com autismo na sociedade, lhes permitindo buscar a máxima apontada por Platão.