Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 31/10/2019

Na série televisiva “The good doctor”, o protagonista Shaun Murphy é um jovem médico autista, que enfrenta diversos desafios em seu trabalho, sendo julgado em diversos momentos como incapaz. Fora da ficção, observa-se, no Brasil, aspectos semelhantes no que diz respeito ao Transtorno do Espectro Autista (TEA). Nesse contexto, percebe-se a consolidação de um grave problema, que possui como causas a exclusão no ambiente escolar, bem como a  falta de conhecimento da população.

Convém ressaltar, a princípio, que a negligência das escolas é um fator determinante para a persistência da problemática. Nesse sentido, de acordo com o Portal de Notícia G1, o número de alunos com autismo em colégios comuns cresceu 37% entre os anos de 2017 e 2018. Embora, tal estatística consolida para uma falsa sensação de progresso, uma vez que, leva em consideração apenas a presença desses estudantes em sala de aula, no qual é deixado de lado o aprendizado desses indivíduos. Como desdobramento, ocorre a sensação de desqualificados para exercerem algum curso ou uma profissão no futuro nos portadores de TEA.

Além disso, outra dificuldade enfrentada é a desinformação da sociedade. Nessa perspectiva, conforme o filósofo Arthur Schopenhauer, “Todas as pessoas tomam os limites de seu próprio campo de visão, pelos limites do mundo”. Sob tal ótica, se o povo não tem conhecimento a respeito dos autistas, sua visão será limitada. Em decorrência disso, faz com que os seres que possuem TEA sejam incompreendidos dentro própria família, visto que, a síndrome atinge cerca de 2 milhões de brasileiros. Dessa forma, um caminho para combater o problema, no Brasil, é incentivar a população a buscar informações sobre o transtorno e ajuda de um profissional para o diagnóstico.

Torna-se evidente, portanto, que ações sejam desenvolvidas para a promoção da integração da Síndrome de Asperger. Para que isso ocorra, cabe ao Ministério da Saúde, em parceria com as escolas, promover palestras socioeducativas, durante as aulas de Filosofia, Sociologia e Biologia. Estas devem ocorrer por meio de entrevistas, com médicos e pessoas que possuem TEA. Essa ação será feita com intuito de mostrar aos alunos que todos os indivíduos merecem respeito e que ninguém deve ser excluído ser diferente dos demais. Por fim, é imperioso que a comunidade brasileira olhe de forma mais otimista para a diferença, pois, como constatou Hannah Arendt, “A pluralidade é a lei da Terra”.