Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 20/10/2019
O filme “Temple Grandin” narra à história real de Temple, uma norte-americana que nasceu com autismo e se tornou uma das maiores pesquisadoras e cientistas da área de manejo humanizado de gado. No entanto, diferente da narrativa estadunidense, esse cenário de inclusão da pessoa com o Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um desafio para o Brasil. Isso ocorre porque o país desconhece seus cidadãos autísticos, haja vista à falta de dados numéricos sobre a incidência do distúrbio na população. Dessa forma, a desinformação gera um diagnóstico tardio, retardando os poucos tratamentos disponíveis, bem como, a incorporação desses indivíduos na sociedade.
Inicialmente, cabe destacar que a resolução da problemática de inserção necessita de informações que viabilizem à promoção de políticas públicas. Segundo a presidente da ONG Autismo & Realidade, Paula Balducci, o Brasil adota números dos Estados Unidos como referência, onde a doença atinge uma em cada 110 crianças, sem registros efetivos sobre os autistas brasileiros. Nessa perspectiva, a ausência de estudos e estatísticas dificultam à implantação de políticas básicas —atendimento multidisciplinar com pediatras, psicólogos e psiquiatras — voltadas ao tratamento do distúrbio. Destacando assim, a morosa atuação do governo no perfilamento desses espectros no país.
Além disso, uma nação que desconhece sua comunidade autística, terá, por consequência, dificuldade em reconhecer às características iniciais do autismo. Em vista disso, a verificação atrasada do TEA dificulta à inserção dessas pessoas no convívio social, uma vez que a falta de informação leva ao preconceito e à discriminação. Nessa narrativa, um estudo realizado pela University of South Australia, indica que 75% a 88% dos casos já apresentavam sinais claros da patologia antes dos dois anos de idade, possibilitando uma identificação rápida e um tratamento adequado.
Fica evidente, portanto, que os desafios para integração do autista no Brasil são diversos. Contudo, o entrave inicial é à falta de dados e informações. Logo, o Ministério da Saúde (MS) deve solicitar ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) um retrato nacional dessa população, por meio dos agentes censitários, com o objetivo de normatizar políticas públicas que atendam essa demanda, promovendo condições igualitárias de desenvolvimento para essa parcela. Ademais, com o respaldo desses dados, o MS – por meio do SUS – pode incentivar pesquisas sobre o autismo, causas e tratamentos, com o fito de oferecer às famílias diagnósticos rápidos, além de ferramentas, como: terapias, salas com professores extras e centros de referências especializados, a fim de incluir esses indivíduos em todos os setores públicos. Dessa maneira, o país conhecerá brasileiros tão inspiradores, quanto Temple Grandin.