Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 22/10/2019
Conforme o artigo 3º da Constituição de 1988, é dever do Estado promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação. Entretanto, esse artigo não é posto em prática, uma vez que, ainda existem dificuldades para inclusão de autistas na sociedade brasileira. Diante disso, deve-se analisar como a falta de informação e o individualismo geram a problemática em questão.
É relevante enfatizar, a princípio, que a escassez de conhecimento a respeito do autismo é o principal responsável pelo desafio da inclusão. Isso acontece porque, de acordo com Paulo Freire, é necessário criar uma cultura da paz, estimulando o convívio com as diferenças. Entretanto, isso não acontece, pois esse assunto ainda é tratado como tabu e é pouco discutido pelas mídias e pelas escolas. Em consequência dessa desinformação, acontece uma exclusão progressiva no dia a dia dos portadores da síndrome do autismo.
Atrelado a falta de conhecimento, o exacerbado individualismo também é um impasse para a completa integração. Isso porque, conforme defendeu Zygmunt Bauman, as relações interpessoais estão cada vez mais fluídas e superficiais. Em decorrência dessa fragilidade dos laços afetivos, até aqueles indivíduos que conhecem a síndrome, acabam julgando e proferindo discursos de ódios com as pessoas autistas, classificando-os como mal-educados, rebeldes e desrespeitosos. Assim é comum, que o bullying, em diversas esferas sociais, torne-se frequente com essa parte da população, tornando-os cada vez mais excluídos de atividades simples, como escola e trabalho.
Torna-se evidente, portanto, que a escassez de conhecimento e a falta de empatia geram a problemática em questão. Em razão disso, é necessário que a mídia, em parceria com as escolas, promova campanhas, aulas e atividades interdisciplinares, dentro e fora da escola, que estimulem o pensamento ético coletivo e o respeito as diferenças. Ademais, é relevante que o Poder Legislativo, crie leis mais rígidas e aumente a fiscalização e punição á aqueles que proferirem discursos discriminantes. Assim, o artigo 3º poderá ser posto em prática.