Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 23/10/2019
O sociólogo Émille Durkheim afirmou que a sociedade poder ser comparada a um corpo biológico devido ser composto por partes que interagem entre si. Sob esse viés, para esse organismo ser coeso e igualitário é necessário a integração e consolidação dos direitos de todos indivíduos. No entanto, a inclusão efetiva de pessoas com autismo enfrenta desafios, fruto do preconceito enraizado interligado com baixas informações acerca desse transtorno, além da ineficiência das medidas públicas de acessibilidade, violando a Constituição Federal de 1988.
Mormente, a série norte-americana The Good Doctor de 2017 narra a trajetória de Shaun, um médico autista que sofre preconceito no local hospitalar, em razão do transtorno, mas ao longo dos capítulos vai rompendo o esteriótipo de incapacidade, tornando-se um renomado cirurgião. Dessa forma, fora da ficção, é notório na atual conjuntura indivíduos portadores dessa alteração serem excluídos de atividades do ambiente escolar e mercado de trabalho, promovendo a manutenção de uma mentalidade arcaica, além de refletir a questão de representatividade. Consequentemente, a falta de informação intensifica o cenário vigente, uma vez que não é divulgado formas de lidar com essa doença e os graus existentes, indo na direção contrária da Carta Magna brasileira.
Ademais, as medidas públicas estão sendo ineficazes para a inclusão de indivíduos com autismo, visto no baixo número de profissionais em escolas e de assistencialismo médico, violando a dignidade humana desse grupo. Segundo o geógrafo Milton Santos: Sociedade alienada é aquela que enxerga o que separa, mas não uni seus membros. Desse modo, integrar as pessoas portadoras dessa alteração torna-se um desafio, pois não há o devido preparo do corpo social, ocasionando a disseminação do preconceito em todos os âmbitos. Logo, garantir os direitos dessas pessoas são fundamentais para buscar interação eficaz, conforme afirmou o sociólogo Durkheim.
Dessarte, há diversos desafios para inclusão de pessoas com autismo na sociedade civil, fruto do preconceito enraizado, juntamente com a ineficiência das medidas públicas. Diante disso, o Estado, na figura do Poder Legislativo, deve elaborar um Projeto de Lei, de caráter emergencial, baseado no cumprimento dos direitos assegurados na Constituição de 1988, o qual busque intensificar a disseminação de informações, além do investimento em políticas de assistencialismo, como educação e saúde, por meio de programas sociais que garanta a contratação de profissionais em escolas e hospitais de forma gratuita, visando maior qualidade de vida. Isso também pode ser feito com a maior visibilidade ao Dia Mundial do Autismo, com palestras e divulgação de documentário. Por fim, essas medidas têm a finalidade de possibilitar a integração e o rompimento do paradigma existente.