Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 24/10/2019

Na série americana “The good doctor", o protagonista é um jovem médico autista, o qual enfrenta diversos desafios em seu trabalho, sendo julgado em muitos momentos como incapaz. Fora da ficção, é inegável que inúmeros brasileiros pertencentes ao espectro autista também sofrem para se inserir na sociedade, principalmente devido a uma construção escolar limitadora e ao desconhecimento da população sobre o transtorno.

Em primeira análise, é lícito postular que a falta de capacidade técnica do corpo docente nas escolas é um dos entraves para a educação e socialização dos autistas. Em conformidade com Aristóteles –filósofo grego-, o homem é um ser social e a vida em sociedade é essencial para a sua realização pessoal e busca pela felicidade. Nesse aspecto, a inclusão de pessoas com Transtorno do Espectro Autista é fundamental para a manutenção do bem estar social. Por conseguinte, a partir de uma educação de qualidade, que possibilite o desenvolvimento dessas pessoas, é possível minimizar os efeitos do transtorno, desenvolvê-los e torná-los adultos sociáveis e inseridos na comunidade.

Outrossim, o autista diverge do padrão de comportamento culturalmente imposto, que está enraizado desde o início da formação da identidade nacional. Com isso, é oportuno destacar a obra “Casa Grande e Senzala”, de Gilberto Freyre, a qual evidencia que, durante a formação colonial, as diferenças eram vistas com repulsa. Ocorre que, a tal falta de aceitação, ainda é uma cruel realidade que afeta os autistas e se manifesta por meio da indiferença e do descaso da sociedade, a qual ainda não consegue promover a inclusão. Diante disso, apesar de o brasileiro ser conhecido por ser um povo receptivo, há uma parcela que ainda nutre uma grave mazela social que é a dificuldade de praticar a isonomia de Aristóteles. Nesse sentido, a população autista é marginalizada e, enquanto o autismo for visto como doença – e não característica-, a verdadeira inclusão ainda permanecerá distante.

É imprescindível, portanto, que o Estado, por meio do Ministério da Educação, proporcione mecanismos de qualificação dos professores, com treinamentos, palestras e orientações de como proceder com alunos com esse transtorno. Além disso, a mídia- grande difusora de informações- deve desconstruir os preconceitos existentes, através de debates, principalmente nas escolas –máquinas socializadoras- com especialistas para informar a população e deve, também, aliar-se à instituição familiar, para que sejam trabalhados valores como respeito e tolerância, a fim de minimizar o preconceito criado pela ignorância existente e incluí-los no âmbito social. Com isso, o país tornar-se-á um lugar possível para todos se desenvolverem independentemente da condição que possuem, assim como na série.