Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 25/10/2019

Parafraseando Isaac Newton, um corpo não terá seu movimento alterado a menos que forças externas consideráveis ajam sobre ele, sobressaindo sua inércia. Esse é, infelizmente, o hodierno cenário dos desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil: uma inércia que perdura em detrimento do preconceito enraizado na sociedade, além do escasso preparo dos  profissionais da educação. Sendo assim, convém analisar os principais pilares dessa chaga social.

Vale ressaltar, a princípio, que o sociólogo Zygmunt Bauman defende, na obra “Modernidade Líquida”, que o individualismo é uma das principais características – e o maior conflito – da pós-modernidade e, consequentemente, parcela da população tende a ser incapaz de tolerar diferenças. Ademais, essa ideia anda intrinsecamente ligada a descriminação e ao isolacionismo perante aos autistas provocada por frações da nação, seja por falta de informação sobre o transtorno ou, também, pela ignorância arraigada no corpo social. Dessa forma, tais feitos contribuem para um cenário cada vez mais segregacionista e, em sequência, promovendo na formação de uma tribulação social com dimensões cada vez maiores.

Faz mister, ainda, salientar o despreparo de professores diante do Transtorno Espectro Autista como impulsionador do problema exposto. Outrossim, Brás Cubas, o defunto-autor de Machado de Assis, relatou em suas “Memórias Póstumas” que não teve filhos e não transmitiu para criatura sequer o legado de nossa miséria; possivelmente, hoje, ele percebesse quão certeira foi sua decisão: o atual cenário da falta de especialização dos educadores perante aos acometidos é uma das faces mais lamentáveis do âmbito nacional. Por conseguinte, o ambiente escolar, local onde o autista deveria receber o pilar para a sua formação educacional, acaba se tornando mais um impasse para a construção de conhecimentos científicos e de mundo, acarretando no agravamento do dilema.

Destarte, forças externas devem tornam efetivas vencendo a inércia mencionada por Newton precedentemente. Sendo assim, Ministério da Educação deve investir em projetos educacionais, por intermédio de propagandas televisivas, entrevistas em jornais e debates entre médicos e enfermeiros esclarecendo o transtorno para a população, além da discussão sobre a importância da socialização dos mesmos, a fim de minimizar o teor segregacionista e erradicar preconceitos. Aliado a isso, é necessário que o Governo Federal crie cursos profissionalizantes, de curta duração, para professores e pedagogos instruindo sobre as características do espectro e como se portar ante aos autistas, promovendo uma educação eficaz e de qualidade, pois, como alegado por Karl Marx: “as inquietudes são a locomotiva da nação”.