Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 24/10/2019

Na série televisiva “The Good Doctor- O Bom Doutor” é retratado o cotidiano distópico de um jovem médico e sua rotina de trabalho em um famoso hospital. Nesse viés, além dos desafios da profissão, o protagonista Shaun Murphy precisa provar sua capacidade aos colegas e superiores. Fora do universo ficcional, é evidente que muito indivíduos com transtornos neuropsiquiátricos também sofrem preconceito e enfrentam dificuldades para a inclusão social. Logo, entre os fatores que contribuem para solidificar esse quadro destacam-se a desinformação acerca do autismo bem como a infraestrutura deficitária da educação pública.

A priori, é evidente que a falta de informação sobre o TEA (Transtorno do Espectro Autista) acarreta um ambiente letárgico acerca da assistência oferecida aos portadores. Destarte alguns avanços na área científica, pouco se sabe sobre essa condição e, diversas vezes, ocorre uma alienação sobre o assunto. Análogo ao exposto, apesar do psiquiatra austríaco Leo Kanner ter diagnosticado o autismo em 1943 -após observar crianças e seus comportamentos- ainda há lacunas informativas sobre, por exemplo, os variados graus que afeta os indivíduos. Consequentemente, semelhante a “The Good Doctor”, a ausência de conhecimento da população e de diagnóstico prematuro reflete em dificuldades sociais e no mercado de trabalho.

Sob outro ângulo, nota-se que o suporte e ensino oferecido aos portadores de TEA são, muitas vezes, inadequados. Por conseguinte, de acordo com o capítulo V da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LBD), o ingresso de uma criança autista à escolarização regular é um direito garantido por lei. No entanto, segundo dados do Censo Escolar, somente 36% dos brasileiros neuropsiquiátricos frequentam uma instituição de ensino, pois as questões legislativos são, comumente, negligenciadas. Desse modo, a ausência de infraestrutura e profissionais especializados contribui para que parcelas consideráveis da população se posicionem de maneira indiferente à essa realidade.

Portanto, o Ministério da Educação, como instância máximas dos aspectos pedagógicos, deve adotar estratégias no tocante à desinformação tupiniquim acerca do autismo e, assim, construir um cenário de inclusão. Essa ação pode ser feita por meio de simpósios e palestras os quais elucidem as dúvidas e exponham a importância do respeito e assistência aos TEA. Além disso, cursos profissionalizantes tanto para os neuro diversos como para professores são essenciais, pois trará -respectivamente- mais oportunidades no mercado de trabalho e melhor preparo. Ademais, é necessário investir mais subsídios à infraestrutura voltada ao público do espectro com o fito de preservar seus direitos constitucionais. Por fim, os “shauns” serão tratados com equidade e o respeito estabelecido.