Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 30/10/2019
Perante a perspectiva filosófica do São Tomás de Aquino, todos os indivíduos de uma sociedade democrática possuem a mesma relevância, assim como os mesmos direitos e deveres. Contudo, observa-se que, no Brasil, os deficientes - em especial os autistas - compõem um grupo altamente desfavorecidos, invisibilizados e com baixa representatividade política, o que dificulta a inclusão dessa minoria no exercício da cidadania. Nesse contexto, torna-se evidente a carência de atenção do governo à questão, bem como o preconceito enraizado na comunidade brasileira.
A princípio, é lícito postular que, em Dezembro de 2012, foi sancionada um regimento que garante às pessoas com Transtorno de Espectro do Autismo (TEA) a liberdade e o respeito. No entanto, é inegável que há um paradoxo entre a Legislação nacional e a realidade vivenciada por estes cidadãos, uma vez que, embora hajam leis que assegurem a integração destes em atividades sociais, como por exemplo, oportunidades escolares e de trabalho, ainda existem muitos desafios relacionados a tal problemática. Analogamente, nos Estados Unidos o diagnóstico do autismo é feito em crianças antes dos 3 anos de idade, já no Brasil, esse reconhecimento é tardio, o que agrava ainda mais os sintomas da síndrome que comprometem a vida social do portador. Isso atesta a ineficiência estatal em executar prerrogativas legais que garantem a efetiva inserção dessa minoria.
Outrossim, outra dificuldade que acentua esse panorama supracitado é o pensamento retrógrado de parte da população, que acredita que esses deficientes são inaptos a terem viabilidades durante sua existência. Desde o Iluminismo, entende-se que uma conjuntura social progride quando um preocupa-se com o outro, entretanto, devido a falta de informação desse transtorno ainda há muita discriminação no país e, possivelmente estes irão desistir de se relacionar com outras pessoas e, consequentemente, não irão estudar, nem trabalhar. Em contrapartida, Jacob Barnett, jovem americano diagnosticado com o TEA, aos 14 anos já era considerado o gênio da física e cotado para ser um dos ganhadores de futuros prêmios Nobel, o que destrói todos os paradigmas e preconceitos relacionado à temática.
Infere-se, portanto, que é imprescindível solucionar esse impasse. Assim, faz-se necessária a atuação do Ministério da Saúde para desenvolver medidas efetivas que promovam o diagnóstico precoce do Autismo - posto que, a análise antecipada pode ajudar na evolução do deficiente-, criando e executando projetos na área que capacite profissionais e oriente os parentes, a fim de os propiciar um progresso físico e intelectual desde o início da sua infância. Ademais, compete ao Estado, atrelado à mídia, conscientizar a população sobre a importância do respeito às pessoas com esse transtorno. Dessa forma, será possível tornar a nação mais igualitária e empática, como foi dito por Aquino.