Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 26/10/2019

Na série “Atypical”, é retratada as dificuldades do jovem Sam Gardner, um estudante de ensino médio diagnosticado com Transtorno de Espectro Autista(TEA). Embora seja uma obra ficcional, o filme apresenta características que se assemelham ao atual contexto hodierno, pois, assim, como na obra, os indivíduos diagnosticados com autismo também enfrentam obstáculos em seu cotidiano. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grave problema de contornos específicos, em virtude da ausência em se debater a temática e da negligência de corporações sociais.

Sob esse viés, pode-se apontar como um empecilho à consolidação de solução, a inexistência na abordagem do tema. O filósofo Foucault defende que, na sociedades pós-moderna, alguns temas são silenciados para que as estruturas de poder sejam  mantidas. Nesse sentido, percebe-se uma lacuna no que se refere ao debate em torno dos desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil, que tem sido silenciado. Assim, sem diálogo sério e massivo sobre esse problema, sua resolução é impedida. Portanto, são necessárias medidas capazes de mitigar essa problemática.

Outrossim, a ineficiência das instituições escolares ainda é um grande impasse para resolução da questão, visto que muitas escola não dão um atendimento especial para crianças autistas, por conta da falta de capacitação dos professores. Consoante a defensora pública do Estado de São Paulo Tibyricá, “Muitas famílias percebem que a criança não está participando das atividades da aula. Dizem que ela não recebe qualquer atenção específica”. Logo, faltam medidas efetivas das autoridades competentes para resolver o desafio da inclusão de pessoas com TEA no Brasil.

Diante do exposto, é indubitável que medidas devam ser tomadas para alterar o cenário brasileiro. Em suma, é preciso que as escolas, em parceria com empresas privadas, incentivem rodas de leitura e discussão no ambiente escolar, por meio de obras literárias que abordam os desafios do autismo. Tais empresas podem fornecer livros e os próprios professores realizar o processo mediador, elaborando, posteriormente, exposições e mostras culturais que divulguem à comunidade o trabalho realizado. Nessa lógica, o intuito de tais ações é conscientizar e quebrar paradigmas da população brasileira a respeito do TEA, além de garantir a inclusão dos indivíduos com Espectro Austista nas escolas e no mercado de trabalho. Por fim, é preciso que a comunidade brasileira olhe de forma mais otimista para a diferença, pois, como constatou Hannah Arendt, “A pluralidade é a lei da Terra”.