Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 27/10/2019
A República Federativa do Brasil constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como direito fundamental a dignidade humana. No entanto, a constante exclusão de pessoas com autismo impede que parte da população experimente esse direito na prática. Com efeito, a construção de uma sociedade menos exclusiva e mais atenciosa com os portadores de transtorno de desenvolvimento presume ação concomitante entre população e esferas governamentais.
A priori, é imperioso destacar o despreparo da população como desafio para a inclusão de pessoas autistas. Isso porque, mediante um cenário em que o número de autistas na população aumenta progressivamente, o conhecimento da população sobre o transtorno se mantém precário e praticamente inalterado. De acordo com dados do Uol, cerca de 90% dos brasileiros que possuem o transtorno não recebem o diagnóstico, sendo assim, grande parte dos portadores de autismo não possui um tratamento adequado e, além disso, estão sujeitos ao despreparo civil, sendo comum nesse caso o desrespeito com o modo de agir do autista, fato que intensifica o problema. Diante do exposto, é inadmissível negligência da população com o problema, onde essa deve buscar informações sobre o transtorno e ter respeito pelos portadores.
Ademais, a baixa atuação das esferas governamentais acentua a problemática. Desse modo, apesar da Constituição Federal de 1988 expor que a Educação é um direito de todos e dever do Estado, a baixa quantidade de autistas que estão presentes no ambiente escolar contradiz completamente o cumprimento desse “dever do Estado”. Segundo dados do G1, somente no Rio de Janeiro, 48% dos autistas estão fora das salas de aula. À face do exposto, é inaceitável à inação do Governo para diminuir o problema e garantir verdadeiramente a universalização da educação, dado que a inclusão dos autistas no âmbito escolar, além de ser de extrema importância para os portadores do transtorno, influencia o conhecimento das pessoas acerca do problema e possibilita maior respeito da população em geral com os autistas.
Em suma, são necessárias medidas que atenuem a exclusão dos autistas na sociedade. Para a conscientização da população brasileira, urge que o Ministério da Educação crie, por meio de verbas governamentais, campanhas publicitárias nas escolas e em espaços públicos, ressaltando a importância do diagnóstico do transtorno e informando as características do autismo para a população, a fim de induzir o respeito pelos portadores quando o transtorno for identificado. Dessa forma, será possível construir uma sociedade mais saudável e respeitosa.