Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 26/10/2019
O roteiro do filme “Rain Man”, de 1988, inicia quando Charlie descobre a existência de um irmão autista, Raymond. De início, Charlie o trata bastante mal por não compreender o transtorno do irmão. Com o desenrolar da trama, a convivência entre os dois faz com que Charlie ultrapasse os preconceitos de antes e desenvolva amor fraternal por Raymond. Similarmente, muitos autistas encontram barreiras que as excluem do espaço público, principalmente nas escolas. Diante desse contexto, é crucial analisar a exclusão de autistas na sociedade brasileira e como isso fomenta a permanência de preconceitos contra elas.
Primordialmente, a exclusão de pessoas com autismo prejudica a sociedade. Em “A condição humana”, Hannah Arendt defende que o pleno funcionamento do espaço público decorre da pluralidade inerente à condição humana. Por exemplo, são muito raras as instituições de ensino dotadas com tutores especializados em acompanhar alunos com autismo. Diante desse obstáculo, muitos pais evitam matricular seus filhos autistas em escolas comuns. Com isso, percebe-se a exclusão social de desse grupo do ambiente escolar convencional e, analogamente, de outros contextos. Assim, obstruem-se as contribuições de pessoas com autismo para o coletivo.
Por conseguinte, essa falta de convívio social consolida preconceitos contra pessoas com autismo no Brasil. Segundo o filósofo iluminista Voltaire, “O preconceito é a opinião sem conhecimento”. Nesse sentido, a exclusão de indivíduos com autismo do ambiente público impede que outras pessoas as conheçam e, consequentemente, revejam noções preconcebidas sobre elas. No contexto escolar, se os outros estudantes são eivados da convivência com autistas, a desconstrução de preconceitos será mais difícil para eles. Desse modo, a inclusão de pessoas autistas na sociedade brasileira representa uma necessidade urgente.
Portanto, o Poder Público deverá agir para reverter esse quadro. Com a finalidade de favorecer a inclusão de estudantes autistas, o Poder Executivo, por meio do Ministério da Educação, deve estabelecer diretrizes para inserção desses alunos em escolas públicas e privadas. De início, professores, coordenadores e servidores técnicos deverão participar de capacitações contínuas sobre o transtorno autista. Outrossim, profissionais especializados devem proferir palestras aos discentes de Ensino Fundamental e Médio sobre variados aspectos do autismo. Somente assim, o preconceito contra pessoas autistas será aplacado.