Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 30/10/2019

A série americana ‘‘Atypical’’, retrata a rotina de um rapaz de 18 anos, diagnosticado dentro do espectro do autismo. Em um dos episódios, o personagem principal, Sam, encontra dificuldades em adaptar-se com os demais alunos do colégio, pois, ele dizia sentir-se diferente e desconectado. Tal situação, entretanto, não fica restrita ao cenário cinematográfico, visto que no Brasil há uma série de casos análogos à obra em razão dos desafios de inclusão que os autistas enfrentam. Desse modo, torna-se pertinente analisar os principais impactos dessa problemática: o despreparo profissional nas instituições de ensino e a falta de conscientização na sociedade.

A princípio, aspectos governamentais estão entre as primordiais causas da dificuldade de inserção do autismo na sociedade. Segundo o sociólogo Norbert Elias, muitas vezes os direitos individuais são ignorados pelo Estado, o que gera prejuízos sociais. Nesse sentido, observa-se que ao negligenciar o preparo adequado, o autista desenvolve um retrocesso no seu desenvolvimento pessoal, pois, os profissionais qualificados para tal conduta os ajudariam a enfrentar os bloqueios apresentados ao socializar com outros alunos. Além disso, graus elevados de autismo - como a síndrome de savant -algumas vezes impedem a facilidade de captar informações eficientemente. Dessa forma, é preciso um acompanhamento especializado que consiga compreender as diferentes formas de pensamento.

Ademais, outro agravante a ser destacado é a falta de informação da sociedade relacionada ao espectro autista. De acordo com o neuropediatra Carlos Gadia, é importante que todos tenham consciência de que o transtorno existe, pois o conhecimento multiplicado por toda sociedade pode ajudar numa maior inclusão dos mesmos. Diante disso, é fundamental analisar que não compreender esse tipo de transtorno ocasiona à alienação sobre o assunto, haja vista que tudo aquilo que não é conhecido causa estranhamento e, como consequência, tem-se a dificuldade de inserir essas pessoas na sociedade. Sendo assim, é preciso criar mecanismos que objetivem a informação do corpo social.

Entende-se, portanto, que os motivos contribuintes para essa problemática devem ser remediados para que a crise seja sanada. Cabe, então, o Ministério da Educação junto à Associação Brasileira de Autismo (ABRA) promover instituições qualificadas que minimizem os efeitos da exclusão aos grupos pertencentes do espectro autista por meio da implementação de profissionais capacitados em desenvolver atividades multidisciplinares - como por exemplo, a música - a fim de inseri-los na sociedade. Além disso, o governo também deve investir em campanhas que transmitem conhecimento do assunto por meio de televisões e internet  com o intuito de conscientizar adequadamente à população. Dessa maneira, não será preciso passar pela situação ocorrida na série supracitada.