Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 28/10/2019
Na série televisiva “The Good Doctor”, é retratada a trajetória de Shaun, um jovem médico autista, que, apesar de suas incríveis habilidades na área médica, sofre muito preconceito durante o exercício de sua profissão, o que o leva a enfrentar diversos desafios dentro do hospital em que trabalha. De maneira análoga, é evidente a existência de empecilhos que dificultam a inclusão de autistas no cenário brasileiro, principalmente no ambiente escolar e no mercado de trabalho. Nesse sentido, hão de ser analisados tais fatores, a fim de mitigá-los e efetivar a inclusão desses indivíduos na sociedade.
Em primeiro lugar, é necessário apontar que a inclusão do portador da síndrome começa na escola. Isso porque, de acordo com o conceito de socialização secundária, o ambiente escolar é fundamental no processo de integração do indivíduo na sociedade. Entretanto, a escola nem sempre possui a infraestrutura necessária para proporcionar tal benefício ao aluno autista, seja devido à falta de tutores ou à ausência de mecanismos que o auxiliem no processo de comunicação. Logo, é notório o descaso da rede de ensino para com essas pessoas, as quais deveriam ter acesso ao ensino de qualidade.
Outrossim, vale ressaltar que as dificuldades para a inclusão do autista também estão presente na vida adulta, principalmente no que tange ao ingresso no mercado de trabalho. Tal fato foi potencializado pela Revolução Técnico-Científico-Informacional, a partir da qual tem se exigido profissionais cada vez mais bem preparados para o mercado. Nesse contexto, os empregadores nem sempre estão dispostos a contratar um autista, por acreditar que suas dificuldades para se comunicar poderão atrapalhar no exercício da profissão. Desse modo, é importante que os empregadores reconheçam a capacidade do autista pelo seu currículo, como qualquer outro indivíduo, sem segregá-los devido ao preconceito. Depreende-se, portanto, a necessidade de incluir os autistas de maneira efetiva no cenário escolar e no mercado de trabalho. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação, por meio de um direcionamento orçamentário às escolas da rede pública, fornecer a infraestrutura necessária para esses indivíduos, como o acompanhamento de tutores e ferramentas que os auxiliem no desenvolvimento da comunicação, a fim de que estes tenham o apoio necessário e a garantia do direito à educação de qualidade. Ademais, cabe ao Ministério da Saúde realizar campanhas e movimentos em favor da inclusão e difundi-los de maneira regular nas empresas, de modo a conscientizar empregadores e funcionários a respeito do autismo, para que todos possam respeitar e aceitar os indivíduos portadores da síndrome. Quiçá, assim, será possível construir uma sociedade que reconheça o autista como um cidadão, sem julgá-lo a partir de preconceitos, de modo a desconstruir, na realidade, o cenário apresentado em “The Good Doctor”.