Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 31/10/2019

Na série americana “Atypical” Sam - jovem de 18 anos, estudante do ensino médio, portador do transtorno do Espectro Autista ( TEA) - luta diariamente com as dificuldades advindas da convivência dele com a sociedade. Analogamente, fora da ficção, a questão da inclusão de pessoas com autismo apresenta um quadro preocupante, tanto por causa do desconhecimento da sociedade sobre o TEA, quanto pela insuficiente valorização do Estado referente as pesquisas a cerca da doença. Assim é fundamental resolver ambos os problemas, a fim de que possa contorna-los.

Cabe perceber, a princípio, o contexto histórico do comportamento do corpo social em relação ao tratamento com o deficiente, principalmente quando essa deficiência é no âmbito psíquico. Como exemplo, tem-se o livro " o Alienista", publicado em 1982, de Machado de Assis, o qual deixa claro tal conceito popular da época a respeito desses indivíduos muitas vezes enquadradas como lelés, dementes e, de sobremaneira, possuídos por espíritos malignos. Nessa perspectiva, entende-se a ausência de informação a respeito do TEA como forte influência do preconceito e, consequentemente, exclusão social desses portadores. Em consequência, muitas dessas pessoas possuintes da síndrome são vítimas de bullying no ambiente escolar, violências em geral e até mesmo, abandono parental.

Convém ressaltar, outrossim, a definição da doença por Leo Kanner, primeiro psiquiatra diagnosticar o TEA,  como “Distúrbios Autísticos do Contato Afetivo”, segundo ele a principal causa da doença era a ausência do afeto materno. Assim sendo, percebe-se o défice no desenvolvimento de pesquisas sobre a síndrome como fator dificultador ao seu tratamento e, até mesmo, sua prevenção, uma vez que antes de o TEA ser descoberto como causa congênita envolvendo mais de 200 genes, o seu tratamento era voltado a causas erradas, as quais de nada solucionavam o problema. Nesse sentido, assim como antes, a ausência de um diagnóstico preciso, ou seja, um exame genético capaz de afirmar com precisão a incidência da síndrome afeta de maneira significativa no seu tratamento.

Torna-se evidente, portanto, os entraves referentes a inclusão de pessoas com autismo no Brasil. Logo, a priori, cabe ao Estado o papel de fomentar pesquisas sobre causas, tratamento e prevenção do TEA, por meio de uma maior disponibilização de verba aos centros de pesquisa, resultando em um maior incentivo dos estudantes universitários à prática, no intuito de oferecer um diagnóstico e um tratamento preciso para melhor solucionar a questão. A posteriori, compete a Mídia, a veiculação de mais documentários, filmes e series, assim como a série “Atypical”, que discorram sobre o autismo, é funcional a apresentação de personagens portadores de autismo, mas que fujam dos esteriótipos pejorativos, com a intenção de garantir maior inclusão desse grupo à sociedade.