Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 29/10/2019

No livro " O extraordinário", escrito pela R.J.Palácio retrata a vida de Auggie, um menino que possui deformidades no rosto e que atura humilhações por ser diferente. Nesse sentido, a narrativa foca na trajetória do protagonista na adaptação ao ambiente escolar e, felizmente, graças ao apoio da família e amigos, consegue superar os empasses da inclusão. Na contemporaneidade, muitos indivíduos com transtornos neuropsiquiátricos também sofrem com a exclusão social e, dessa forma, os desafios da inserção de pessoas com autismo no Brasil têm como pilares a desinformação sobre a doença, além da falta de qualificação adequada dos profissionais de educação, o que se configura como uma chaga social.

Desde o iluminismo, entende-se que uma sociedade só progride quando um se mobiliza com o problema do outro. Dessa forma, a falta de interesse da população sobre o autismo constitui um dos principais entraves para a adaptação dessas pessoas no país. Em vista disso, tudo aquilo que é desconhecido causa medo e, como consequência, tem-se a dificuldade de inserir portadores com Transtorno do Espectro Autista na comunidade, uma vez que a falta de informação leva ao preconceito e à discriminação. Ademais, apenas em 1993 o autismo foi incluído na Classificação Internacional de Doenças da Organização Mundial da Saúde, segundo dados da USP em 2018, o que corrobora para a falta de conhecimento sobre o assunto e impossibilita a inclusão desses cidadãos no Brasil.

Outrossim, a falta de capacidade técnica do corpo docente das instituições de ensino, é um dos problemas para a educação e socialização das crianças autistas. De maneira análoga, segundo a professora e especialista em inclusão Maria Tereza Montoan, as escolas devem reestruturar o ensino, e que é a escola que deve se adaptar ao aluno e não ao contrário. Todavia, infelizmente os colégios acadêmicos não têm a formação continuada para os professores na perspectiva inclusiva, bem como a gestão escolar não está preparada para desenvolver um plano pedagógico eficiente.

Diante do exposto, percebe-se a necessidade de medidas para reverterem a situação. Assim, a fim de combater os desafios da inclusão dos autistas na sociedade, cabe ao Ministério de Educação e Cultura proporcionar mecanismos de qualificação dos profissionais de educação, por meio de treinamentos, palestras e orientações sobre como proceder com alunos com esse transtorno, para que, assim, eles possam se desenvolver e viver em sociedade. Com tal medida, espera-se a minimização dos efeitos da doença, promovendo o progresso dos autistas e os tornando adultos sociáveis e inseridos na comunidade, da mesma forma que em " O Extraordinário", Auggie conquistou seu espaço dentro do ambiente escolar e venceu as diferenças.