Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 30/10/2019
Na obra “Utopia’’, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de problemas. Contudo, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto, uma vez que a inclusão de pessoas autistas no Brasil apresenta desafios, os quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto da negligência estatal, quanto da ignorância da população acerca do assunto. Diante disso, é fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.
Primeiramente, é fulcral pontuar que a falta de inclusão dos autistas deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne ao cumprimento de normas reguladores vigentes. Nessa lógica, de acordo com a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno de Espectro Autista (TEA), é dever do SUS disponibilizar tratamento completo ao paciente com TEA. Entretanto, esse direito não tem sido respeitado no país, haja vista a comum indisponibilidade de medicamentos e vagas em consultas com profissionais especializados no tratamento desses pacientes. Assim, é flagrante o descaso do poder público em oferecer acesso a saúde de qualidade de forma igualitária a toda a população, sendo necessária a reformulação dessa postura estatal com urgência.
Além disso, a escassez de debates acerca do TEA na sociedade contribui para os obstáculos na inclusão dos portadores. Sob tal ótica, não comumente, crianças e adolescentes autistas enfrentam a discriminação no ambiente escolar, não só por alunos, mas também por professores. Isso ocorre devido ao senso comum de que os autistas são pessoas excêntricas e violentas, o que evidencia a ignorância absurda sobre o tema, visto que esses são pessoas com personalidades diferentes, assim como qualquer outro indivíduo. Sendo assim, é importante colocar em pauta o assunto, para que a inclusão adequada do grupo seja realizada.
Infere-se, portanto, que há desafios a serem enfrentados na inclusão dos autistas na sociedade brasileira. Destarte, com o intuito de mitigar tais impasses, o Ministério da Educação deve promover, por meio de mídias televisivas e redes sociais, projetos que informem a população acerca do TEA, de forma que evidencie todos os aspectos do transtorno e como tratar os portadores, de modo que os ajude a desenvolver interação saudável com qualquer grupo social. Ademais, o Ministério da Saúde deve cumprir com todos os direitos a recursos que, em tese, são resguardados aos autistas. Para isso, profissionais, como psicólogos e neurologistas, e medicamentos devem ser distribuídos de acordo com a demanda em cada em cada região, a fim de que nenhum portador da transtorno careça de tratamento. Dessa forma, haverá a inclusão adequada aos autistas, e a realidade se aproximará da utopia de More.