Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 30/10/2019
No filme “Meu Nome é Rádio,” a personagem principal representada pelo ator Cuba Gooding Júnior é um jovem autista que, depois de sofrer inúmeros preconceitos, recebe o apoio do treinador do time de futebol americano da cidade. Longe das telas do cinema, a realidade brasileira é análoga à do longa-metragem, pois, o país enfrenta diversos problemas relacionados aos desafios da inclusão de pessoas com autismo. São fatores que contribuem para essa problemática, o desrespeito aos direitos das minorias, aliado ao descomprometimento do Estado no tocante a essa questão.
Nesse contexto, é oportuno frisar que o descaso com as minorias sempre foi um problema brasileiro. Segundo Clement Attlee, Primeiro-Ministro do Reino Unido entre 1945 e 1951, “a democracia não é apenas a lei da maioria, é a lei da maioria respeitando o direito das minorias. Nesse sentido, a teoria do político britânico se encaixa na realidade brasileira, uma vez que, o desrespeito aos direitos das pessoas com Transtorno do Espectro Autista, TEA, como ter sua inclusão na sociedade garantida, não é suficientemente aplicado. Dessa forma, torna-se evidente que esse costume vergonhoso cristaliza o cenário atual de afastamento velado dessa população do convívio pleno em sociedade.
Ademais, o descomprometimento do Governo frente ao desafio da inclusão de pessoas com autismo no Brasil também agrava a situação. Isso acontece porque, o Estado se comprometem muito mais com as questões econômicas, como previdência e agronegócio, por exemplo, do que com as sociais. Conforme Karl Marx, em sua obra “O Capital,” em um mundo capitalizado a busca pelo lucro ultrapassa valores éticos e morais. Nessa lógica, o pensamento do filósofo alemão vai de encontro à realidade brasileira, uma vez que, existe supervalorização do capital em detrimento do social. Portanto, é inadmissível que um país que representa a nona economia mundial não tenha se voltado, também, para o resolução dos problemas sociais como a inclusão da população com autismo.
Diante desse cenário, é imprescindível transpor os desafios da inclusão de pessoas com TEA no Brasil. Posto isso, cabe ao Estado, por meio da realocação de recursos financeiros, investir no acompanhamento médico e social desses indivíduos desde o nascimento, passando pela escolarização, até a inserção no mercado de trabalho, a fim de promover a integração dessa população na sociedade sem preconceitos. Para isso, pode-se, por exemplo, reverter a nefasta política de renúncias fiscais que, segundo o Tribunal de Contas da União somaram, somente em 2017, R$ 354,7 bilhões, e destinar parte desses recursos para custear esse projeto em caráter permanente e abrangência nacional. Somente assim, será possível uma mudança na realidade das pessoas com autismo, da mesma forma que o treinador de futebol americano mudou a vida de Rádio.