Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 29/10/2019
Desde o iluminismo, sabe-se que uma sociedade só progride quando um se mobiliza com o problema do outro. No entanto, quando observa-se a posição negligente do povo brasileiro para com os autistas, percebe-se que esse ideal é verificado apenas na teoria e não na prática. Muitos passos já foram dados na tentativa de reverter esse cenário. Entretanto, para que seja conquistada uma convivência realmente democrática, hão de se analisar as verdadeiras causas desse mal: o intenso preconceito e a falta de informação sobre a doença por parte da população.
Nesse sentido, é indubitável que o preconceito é um dos principais problemas sociais do Brasil. Com isso, é pertinente ressaltar a teoria de Émile Durkheim, o qual afirma que o fato social é uma maneira coletiva de agir e de pensar, dotada de exterioridade, generalidade e coercitividade. Partindo desse princípio, observa-se que a discriminação social encaixa-se na teoria do sociólogo, tendo em vista que, uma criança inserida em um meio que admite esse comportamento está sujeita a perpetuar tais práticas. Com efeito, o fortalecimento desse pensamento, passado de geração em geração, atua incessantemente em prol da exclusão social e precisa ser erradicado.
Outrossim, a falta de informação sobre o autismo e seus desencadeamentos é vista como um outro grande fator que agrava a problemática no país. O jogador de futebol Lionel Messi, apesar de em um pequeno grau, é portador do autismo e mesmo com a doença, foi considerado melhor jogador do mundo seis vezes e, atualmente, é visto como um dos melhores futebolistas da história. Porém, o craque argentino representa uma pequena minoria desse grupo social. No Brasil, tal enfermidade ainda é vista como um “tabu” e a opção, de maneira preconceituosa, pela inferiorização dessas pessoas e pela exclusão social é tida como um desfecho inevitável.
Torna-se evidente, portanto, que a precária inclusão social dos autistas na sociedade brasileira é um problema grave e necessita de medidas imediatas. Cabe ao Ministério do Trabalho, em parceria com a mídia, demonstrar a capacidade e as possíveis contribuições desse grupo social para as organizações permeante entrevistas com especialistas a fim de conscientizar o povo sobre tal enfermidade e minimizar o preconceito vigente no país. Ademais, é de responsabilidade do Poder Legislativo, levando em consideração o número de funcionários da empresa, instituir leis que determinem cotas para autistas com o intuito de aumentar a inclusão social dessa minoria na sociedade brasileira. Assim, poder-se-á transformar o Brasil em um lugar desenvolvido socialmente e os ideais iluministas em prática e não apenas em teoria.