Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 30/10/2019
Na série televisiva “The Good Doctor”, o médico Shaun Murphy possui autismo e é discriminado e subestimado por parte de colegas de trabalho e pacientes. Entretanto, apesar de ser ficção, tal panorama representa o dia a dia de milhões de brasileiros que sofrem marginalização pela mesma condição, sendo, portanto, um desafio para promover a inclusão dessas pessoas, em função do preconceito e do desconhecimento acerca da temática.
Em uma primeira análise, a visão de Arthur Schopenhauer, filósofo alemão, em sua obra “O Mundo como Vontade e Representação”, faz-se fundamental, pois os limites do campo de visão individuais possibilitam o preconceito, visto que dificulta-se a capacidade de se colocar no lugar do próximo. Sob essa óptica, é evidente que pessoas que não se adequam ao padrão convencional, como os autistas, possuem dificuldades em obter aceitação social, haja vista que o ser humano procura padrões de comportamento em suas relações sociais, pendendo, de forma irracional, a tangenciar o diferente. Dessa forma, impede-se a obtenção plena da cidadania de uma parcela considerável da sociedade, ferindo a Constituição Cidadã de 1988.
Outrossim, destaca-se o desconhecimento acerca do tema, visto que na célebre visão de Paulo Freire, a educação é a melhor forma de inclusão social. Nessa perspectiva, com a ausência de conhecimento técnico acerca da causa, dificulta-se a inserção de pessoas com espectro autista no âmbito escolar, com a ausência de atividades intermodais que propiciem o pleno desenvolvimento das crianças em questão, como a presença de psicopedagogos para a realização de atividades psicossociais que promovam a interação com outros infantes. Além disso, tal entrave educacional reverbera até o âmbito do trabalho, como no caso do médico Shaun Murphy, que mesmo depois de adulto não consegue de forma ampla sua entrada no mercado laboral, sempre com restrições. Sendo assim, se a educação é priorizada, gerará efeitos benéficos a essas crianças ao longo da sua vida.
Destarte, para mudar a realidade vigente, o Ministério da Educação e Cultura deve promover a divulgação científica e social da realidade do espectro autista, por meio de palestras, eventos e atividades lúdicas nas escolas, com o auxílio de profissionais capacitados como os psicopedagogos, a fim de expor ideais que promovam uma maior integração entre o grupo marginalizado supracitado e as pessoas. Dessa forma, poder-se-á garantir o cumprimento da Constituição Cidadã e promover um futuro mais tolerante ao diferente, para que profissionais como Murphy possuam mais inclusão em diversos meios.