Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 30/10/2019
A série americana “The Good Doctor”, retrata a história de um médico autista, que além de lidar com as pressões da profissão, passa por inúmeros preconceitos e desafios no cotidiano devido à falta de inclusão social que recebe. Fora das telonas, a realidade não é muito distante, grande parte dos autistas é excluído do convívio com outras crianças por causa da discriminação que sofrem. Isso não se evidencia apenas pela dificuldade de interação social causada pelo transtorno, mas também pela falta de políticas públicas eficientes que assegurem a participação da pessoa no meio social.
Em primeiro lugar, é preciso desmitificar que o autismo é uma doença, e sim um transtorno neurológico. Nessa perspectiva, o preconceito intrínseco na sociedade brasileira é reflexo da dificuldade de interação social, desenvolvimento da linguagem e comunicação do indivíduo portador do transtorno. Contudo, desconsidera-se que o Espectro de Autismo possui diversos níveis, ou seja, não se pode generalizar todos os portadores, sendo assim, existem graus mais baixos que possibilitam uma maior interação e mesmo os níveis mais altos precisam da socialização para se desenvolverem. Aristóteles, nesse sentido, afirmou que devemos tratar os desiguais na medida que se desigualam a fim de se alcançar a equidade. Dessa forma, um dos obstáculos para a inclusão do autista seria buscar maneiras de possibilitar sua socialização apesar dos impactos de seu transtorno em suas relações sociais.
Em segundo plano, a falta de políticas públicas eficientes, no Brasil, é um empecilho na superação do problema, haja vista a ignorância ao se tratar do assunto de saúde. Nesse contexto, apenas em 2014 foi regularizado os direitos dos autistas, o que representa uma grande negligência nessa pauta durante anos. Sendo assim, a ausência de mediadores e psicopedagógicos nas escolas permitem a perpetuação da problemática no cotidiano, uma vez que não se fornece meios necessários para a plena convivência do autistas nos espaços que deveriam ser responsáveis por sua socialização secundária e ensiná-lo a ter independência mesmo com suas limitações. Dessa maneira, cria-se jovens que tendem a não possuir uma boa qualidade de vida e ficam reféns de cuidados terceirizados por toda a vida.
Torna-se evidente, portanto, que os obstáculos para a inclusão dos autistas ,no Brasil, é causado pelo preconceito e ignorância política com esse grupo social. Para reverter esse quadro, é preciso que o Ministério da Saúde faça, em parceria com grandes emissoras televisivas, campanhas elucidativas governamentais, tratando de inserir os autistas em seu contexto, a partir da divulgação do dia-a-dia desse grupo para a população geral, a fim de desmitificar os preconceitos contra o transtorno. Além disso, é preciso garantir o acesso às escolas e a disponibilização de mediadores. Espera-se, assim, que mais jovens possam se desenvolver como o médico de “The Good Doctor”.