Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 01/11/2019
É possível, por intermédio da linguagem simples e coloquial do poema “No meio do caminho”, de Carlos Drummond de Andrade, fazer uma analogia a respeito das dificuldades de inclusão de pessoas com autismo no Brasil. Acerca de tal análise, pode-se ligar a pedra, presente na obra drummondiana, à crescente repercussão da problemática no cotidiano dos brasileiros. Ainda, constata-se que o revés está atrelado não somente à inoperância estatal, mas também a falta de preparo.
De início, pontua-se o desleixo governamental como agente precursor do agravamento da situação. No livro “Ética a Nicômaco”, Aristóteles, defende que a política serve para garantir o bem-estar dos cidadãos. Porém, o descaso das autoridades públicas em relação à disponibilidade de centros de saúde com profissionais qualificados a diagnosticarem o Transtorno do Espectro Autista (TEA) precocemente, fomenta a atual inadimplência do Estado em solucionar a mazela social. Porquanto, a inclusão tardia do autismo no senso do IBGE, a ausência de dados estatísticos e estudos científicos na área, exemplificam o desdém político-administrativo. Dessa forma, verifica-se a necessidade de uma reformulação nas ações político-sociais, a fim de que o axioma aristotélico retorne ao cerne dos princípios governamentais e os acontecimentos supracitados possam ser mitigados à população.
Outrossim, a ausência de educadores qualificados contribui para a acentuação da problemática. Hodiernamente, ocupando a nona posição no ranking global de economia, consoante à pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa e Relações Internacionais (IPRI), seria racional acreditar que o Brasil possui um sistema de educação pública eficiente e includente. A realidade, entretanto, é justamente o oposto e o resultado desse contraste é observado na dificuldade de inclusão de crianças e adolescentes autistas no corpo estudantil escolar, devido à falta de treinamento dos professores para lidarem com o comportamento desses. Posto isso, medidas devem ser adotadas com o intuito de reverter essa realidade.
Logo, para que o triunfo sobre as dificuldades de inclusão de pessoas com autismo no Brasil seja consumado, urge que o Ministério da Saúde em parceria com Ministério da Educação, por meio dos recursos enviados pelo Estado, promova a inserção de médicos no corpo escolar, de modo a averiguar os comportamentos da criança e, por fim, diagnosticá-las precocemente. Todavia, essa ação deverá ser acompanhada da realização de estudos científicos sobre o assunto, com o objetivo de mobilizar projetos assistencialistas em benefício dessas pessoas. Ainda assim, recursos deverão ser direcionados em melhorias nas escolas regulares, com fito de garantir o acesso dos autistas à educação. Dessarte, a pedra drummondiana moderna poderá ser removida do caminho social.