Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 01/11/2019

No livro Memórias Póstumas de Brás Cubas, Machado de Assis apresenta um problema social muito incidente no mundo, mesmo no século atual. Através da personagem Eugênia, que é “coxa” e por isso perde o interesse de Brás, ele representa a exclusão e discriminação das pessoas com algum tipo de deficiência dentro da sociedade. De forma análoga, os indivíduos autistas são, muitas vezes, deixados de lado tanto em escolas quanto em ambientes de trabalho em virtude da falta de informação da população sobre o assunto e da cultura de aversão ao que é diferente, que existe nas comunidades desde seu início.

Em primeira instância, pode-se mencionar a série norte-americana “Atypical”, que retrata a história de um jovem autista e mostra as dificuldades enfrentadas por ele em sua vida pessoal e no ambiente escolar, no qual precisa lidar com a exclusão e bullying por ser diferente. Da mesma forma, muitas crianças e adolescentes brasileiros passam por essas situações durante o período escolar, em razão da carência de medidas inclusivas nas escolas, como ausência de especialistas nesse transtorno e a falta de discussões que forneçam conhecimento sobre a realidade de um autista para todos os estudantes.

Em segunda instância, é importante ressaltar as dificuldades com as quais muitos adultos com o Transtorno do Espectro Autista se deparam nos espaços de trabalho. Nesse contexto, cabe mencionar a série “The Good Doctor”, que mostra a discriminação sofrida por um médico autista ao tentar conseguir uma vaga de emprego em um hospital e posteriormente o preconceito direcionado a ele pelos outros profissionais com os quais trabalha. Dessa maneira, fica implícita a necessidade de maior transmissão de informações sobre o autismo a toda a sociedade, visto que com maior conhecimento sobre o assunto se torna um pouco mais fácil a inclusão social de qualquer indivíduo.

Em síntese, os indivíduos autistas ainda são excluídos por muitas pessoas dentro das comunidades. Assim, é preciso que empresas televisivas sejam mais inclusivas, por meio do fornecimento de maior representação de autistas em filmes e novelas, a fim de que a população entre em contato com a realidade desses deficientes e se torne mais aberta e menos preconceituosa em relação aos diferentes. Ademais, é fundamental a realização, pelas escolas, de palestras e discussões em salas de aula sobre o assunto, para que as crianças e adolescentes se tornem mais receptivos, tanto com pessoas autistas como com outras com necessidades especiais divergentes.