Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 01/11/2019
O TEA (Transtorno do Espectro Autista) é um distúrbio psicológico muito presente na sociedade, caracterizado por uma alteração de comportamentos sociais. Com o avanço da medicina, foi possível identificar e classificá-lo, ainda na fase infantil; entretanto, questiona-se a respeito de um tratamento para essa condição, além da dependência dos indivíduos com autismo avançado, que necessitam de alguém os auxiliando nas mais variadas tarefas diariamente.
É preciso compreender, primeiramente, que apesar de já existir a muito tempo, o autismo só foi descoberto e avançou nos estudos científicos recentemente. Assim, estamos mais perto de encontrar soluções para o tratamento, porém não perto da cura, já que as causas do transtorno são diversas e ainda pouco conhecidas. Há estudos recentes que mostram a efetiva evolução no tratamento de pacientes com autismo grave e seu desenvolvimento social por meio do contato com os animais. Logo, como os autistas são extremamente sensíveis aos ruídos, o contato com animais em ambientes tranquilos auxilia no aprendizado e conhecimento de si mesmo; já que suas percepções de noção são influenciadas pelo que veem.
Outro enfrentamento a respeito da doença é a dependência autista de alguém que realize seu cuidado. Um indivíduo com TEA avançado precisa de muito auxílio pois não é capaz de realizar sozinho as tarefas básicas como se alimentar, tomar banho e vestir-se. Desse modo, um estudo realizado com os pais, pela revista Viva Bem, gerou a seguinte questão: quem cuidará de meu filho autista quando eu morrer? De fato a precariedade em um sistema de saúde demonstra a necessidade de reformulá-lo para incluir tal transtorno, pois faltam profissionais que atendam esses indivíduos, que tenham treinamento para cuidá-los e acompanhar seu progresso, além do custo financeiro que os serviços particulares requerem. Por isso, é uma impossibilidade conceber uma criança autista e esperar que ela tenha um progresso significativo em seu desenvolvimento contando apenas com um sistema público.
Destarte, infere-se a necessidade de inserir o transtorno em nossas prioridades sociais. O governo precisa dar apoio financeiro e social para desenvolver programas de pesquisas que possibilitem o avanço no tratamento desses indivíduos, bem como a identificação das causas de tal transtorno. Dessa forma, é possível treinar profissionais nos hospitais e disponibilizá-los a nível público, para que todos tenham acesso a um cuidado de qualidade que permita seu avanço psicomotor, além de garantir estabilidade em caso de ausência de um cuidador familiar. Afinal, garantir políticas sociais e econômicas que diminuíam as doenças bem como buscar tratamento as mesmas é uma questão de nível constitucional; logo, é um dever governamental e social preocupar-se com o acesso à elas.