Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 06/04/2020
No livro “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis, o protagonista, ao conhecer uma moça manca, revela seu preconceito quando a apelida de “coxa”. Fora da literatura, no Brasil, a inclusão social dos autistas enfrenta entraves, sobretudo por conta da desinformação, que gera discriminação (como a vivenciada pela deficiente na ficção), e do desespreparo das escolas para lidar com o autismo.
Nesse cenário, segundo a USP, as pessoas sabem pouco sobre as características do autismo. Diante disso, criam-se mitos, na mente coletiva, sobre a doença. Isso é notável no filme mais popular sobre o assunto “Rain Man”, em que Raymond, autista, é retratado negativamente, como um homem totalmente incapaz, o que tende a provocar, nas pessoas, uma associação de alguém com autismo ao personagem, o que gera repulsa. Em contraposição a obra cinematográfica, para a psicologia, essa doença possui peculiaridades, que variam de pessoa para pessoa, e, assim, pacientes com o mesmo diagnóstico podem ter comportamentos diferentes. Logo, perante esse desconhecimento, a sociabilidade do autista é afetada, pois os indivíduos tendem a ter uma ideia estereotipada sobre ele, o que os impelem de querer criar elos afetivos.
Outrossim, segundo Hannah Arendt, na sua tese de “Pluralismo Político”, é papel das instituições sociais estimular a igualdade social, enquanto visem a incluir as minorias. Entretanto, lamentavelmente, essa não é realidade das escolas brasileiras, as quais ainda se atêm ao ensino comum a todos os alunos. Esse sistema educativo vigente, dessa forma, não ampara os autistas, pois esses apresentam dificuldades de comunicação e em entender as palavras, o que torna o aprendizado deles mais debilitado do que o resto dos estudantes. Portanto, conclui-se que a inserção dos autistas nas escolas é impossibilitada por conta do sistema de ensino excludente, o qual não abarca suas necessidades. Dessarte, medidas são essenciais para incluir os indivíduos com autismo na sociedade. Para tal, urge que o Legislativo, órgão que é responsável por elaborar as leis, por meio da criação de uma emenda, a qual obrigue as prefeituras brasileiras a promoverem palestras sobre o autismo, bem como as escolas a promoverem aulas especiais só para autistas, diminua os preconceitos e as dificuldades educativas vivenciados por eles. Assim, será evitado que as pessoas com essa doença vivam a exclusão social evidenciada no livro de Machado de Assis.